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O FILME DA SEMANA É UMA PEQUENA OBRA-PRIMA DE PHILLIPE GARREL: À SOMBRA DE DUAS MULHERES"

por Carlos Natálio, de Lisboa, para À Sombra de Duas Mulheres. Poderoso título que Philippe Garrel chama para o seu penúltimo filme. Poderoso pois podia bem ser todo o seu cinema que se comprime ante esta premissa, ou antes, um dos seus problemas estéticos: de que é feita a sombra que emana da figura das mulheres e atinge em cheio o corpo e psique masculinas? Neste seu filme está em causa esse afrontamento, expresso no rosto inexpressivo e corpo incapaz de abraçar e mostrar amor, de Stanislas Merhar. Pierre é a figura típica do amante garreliano, num desespero surdo pós-nouvelle vague e que está sempre preso nessa sombra. Sombra que tal como com as “suas” mulheres são duas. De um lado, a companheira de há anos, com quem faz filmes e vive uma vida no limiar da pobreza, e do outro lado, a amante, jovem estagiária numa produtora de cinema, estudante de doutoramento. Mas essas mulheres são os desdobramentos do problema da sombra. É a sombra feminina como o espaço da “influência ...

EDUARDO CAVALCANTI SAÚDA O REVIVAL DOS FILMES DE TERROR DE QUALIDADE EM PRÓXIMA PARADA

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em várias outras publicações.  É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

JÁ OUVIRAM FALAR? (por Alvaro Carvalho Jr.)

Os jornais brasileiros, particularmente os definidos como grande imprensa, parecem ter perdido a noção do que significa notícia. Nos últimos 10 anos, suas manchetes têm se resumido a este cotidiano terrível que nosso País tem proporcionado: uma corrupção aqui, outra ali, mais outra acolá e assim vamos levando a vida. Homicídios à granel, agressões às mulheres, roubos de carros, bancos, todos os tipos, enfim, que estejam definidos no nosso Códugo Penal. Notícia boa, nada. Mas saibam que existem algumas que são surpreendentes. Imaginem, caras senhoras e caros senhores, que existe uma vereadora na maior cidade do País, São Paulo, que economizou aos cofres públicos, até agora, exatos R$ 1.759.839,42 e tem sua meta definida até o final do mandato: R$ 4 milhões! Vamos lá, é uma quantia de respeito, consideramdo-se trata de apenas uma vereadora. Seu nome? Janaina Lima, uma bela moça (jovem ainda) do partido NOVO que resolveu cortar verbas de gabinete, diversas mordomias e diminuiu ...

DERROTAS (por Marcelo Rayel Correggiari)

A Literatura é um guarda-sol (ou guarda-chuva) gigantesco... ... sob sua sombra (ou sua proteção), centenas e centenas de outras modalidades cuja catalogação é de enlouquecer qualquer um. Na prosa de não-ficção, ‘o trem’ é de deixar maluco(a) qualquer estudioso(a) da área: são nomes e mais nomes que partem dos diários (como os de viagem, por exemplo), chegando ao livro de memórias (um que esse modesto merceeiro recorda, o “Verdade Tropical”, de Caetano Veloso), sem contar com demais modalidades como as biografias, romances biográficos, livros-reportagem, e por aí vai... Nessa semana, os holofotes apontam para “Confesso que Perdi”, um livro de memórias do jornalista Juca Kfouri. Em torno de suas 240 páginas, o relato de uma mente tão consciente que confessa sua geração ora canalha, ora ingênua por achar que suas ações resultariam “... num mundo melhor...”. A coragem, acima de tudo! A coragem de saber identificar que a quantidade de derrotas vem sendo quase que infinitam...

VISCONTI, BERGMAN E ASPIRINAS (por Flávio Viegas Amoreira)

‘’Precisa de muita coragem para aceitar a mediocridade aquele que persegue ideais sublimes que não são deste mundo. O tempo passa rápido e as mentalidades mudam lentamente.’’ Luchino Visconti (1906-1976) Se é doce morrer no Mar, a sala de cinema numa matinê tranquila é lugar perfeito quando ‘fim de mundo’. Evadir-se do bulício urbano até sessão ao crepúsculo é a caverna platônica ao avesso: reflexos revelam o Ideal sem irreal estilhaçado das ruas , no sombreado do projetor retemos Ilusão contínua do Absurdo. Cinema e Literatura, artes menos gregárias, prazeres orgiásticos enlevando muito além da solitude. Não assistimos engalanados fitas e livros: o desnudamento que se impõe e seduz. Cineastas de cabeceira: Luchino Visconti e Ingmar Bergman; diretores que escreviam filmando: cada tomada um fraseado, cada close um poema em plano profundo.   Visconti, Conde de Milão, aristocrata marxista, mentor de Callas, Magnani e Delon, oferece em livros-imagéticos a dimen...