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OS QUATRO ELEMENTOS - A TERRA (por Vinícius de Moraes)

Um dia, estando nós em verdes prados Eu e a Amada, a vagar, gozando a brisa Ei-la que me detém nos meus agrados E abaixa-se, e olha a terra, e a analisa Com face cauta e olhos dissimulados E, mais, me esquece; e, mais, se interioriza Como se os beijos meus fossem mal dados E a minha mão não fosse mais precisa. Irritado, me afasto; mas a Amada A minha zanga, meiga, me entretém Com essa astúcia que o sexo lhe deu. Mas eu que não sou bobo, digo nada… Ah, e assim… (só penso) Muito bem: Antes que a terra a coma, como eu. Vinícius de Moraes nasceu   em 19 de Outubro de 1913   na cidade do Rio de Janeiro.   Sua obra é vasta,   passando pela literatura,   teatro, cinema e música.   Ainda assim, sempre considerou   que a poesia foi sua primeira   e maior vocação, e que   toda sua atividade artística   deriva do fato de ser poeta. Gostava demais das mulheres. Casou-se n...

SAM SHEPARD DIZ ADEUS À VIDA ESTREANDO NO ROMANCE E COMETENDO UMA OBRA-PRIMA

Eu sou meio suspeito para falar de Sam Shepard. É que ele era o meu herói. O cara que roteirizou “Paris Texas”. O cara que escreveu “Crônicas de Motel”. O cara que redigiu o delicioso diário de viagem da lendária tournée cigana de Bob Dylan e agregados The Rolling Thunder Revue, que passou por pequenos teatros e velhos cinemas nos cafundéus da América entre 1975 e 1976. O cara que encarnou o cowboy do espaço Chuck Yeager naquele filme genial sobre o programa espacial americano: “The Right Stuff” de Phil Kaufman. Enfim... o cara que conquistou o coração da adorável Jessica Lange, musa de toda uma geração –- a minha geração, claro! Eu, que nunca havia sido um grande apreciador de teatro -– apesar de estudado na Universidade as obras dos americanos Eugene O’Neill, Tennessee Williams e Arthur Miller -– fiquei boquiaberto ao ver uma montagem de sua peça ‘Cowboys” com um elenco de professores de Inglês em Brasília, Passei a acompanhar sua carreira como teatrólogo. Que peças pode...

A VERDADE NÃO TEM DONO (por`Alvaro Carvalho Jr)

Mas, afinal, houve uma ditadura ou um regime militar? Essa polêmica que se arrasta pelas redes sociais e a sociedade em geral, vem mostrar o nível de intolerância e dissidência que afetarão decididamente as eleições de outubro. Ditadura, para deixar claro, é um regime onde uma só cabeça manda, uma só cabeça tem os poderes de céu e inferno. Num regime militar, existe uma espécie de cooperativa ditatorial, onde os deuses de plantão vão se revezando periodicamente, na tentativa de dar um certo ar de legalidade. No Brasil, ou em qualquer lugar do mundo, não deu certo. Fica como ditadura e fim de papo. Na verdade, muda-se apenas o nome. Os atos violentos permancem os mesmos. Pouco importa qual a cor ou o lado da ditadura ou regime militar. Todo e qualquer regime que limita suas liberdades básicas, como criticar ações governamentais, por exemplo, é bárbaro, é violento, é desprezível. Não há argumento que se sustente para defender um ditador, mesmo que ele seja simpático ou que s...

EDUARDO CAVALCANTI SAÚDA A VERVE TROPICALISTA DE GILBERTO GIL DE 50 ANOS ATRÁS EM PRÓXIMA PARADA

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em várias outras publicações.  É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

JOÃO e JEREMIAS - A PORRA DA HISTÓRIA (um folhetim beat de JR Fidalgo - 12ª de 16 partes)

CAPÍTULO XX João, às vezes, percebia que passava por um dos melhores momentos da sua vida. Então, de onde vinha aquela enorme angústia que o impulsionava, de diversas maneiras, a tentar detonar com tudo? Há alguns dias, sentado na privada, lera uma antiga entrevista de Eric Clapton, onde ele, refletindo sobre seus muitos problemas com a heroína e o álcool, afirmava que os artistas, em particular, possuem uma espécie de obsessão por comportamentos destrutivos. E isso, segundo Clapton, ocorria justamente quando tinham pensamentos criativos. Para fugir da dor que envolve todo o processo de criação, eles acabavam, de maneira inconsciente, chutando o pau da barraca. O problema, no caso, é que era justamente o pau da barraca “deles” que eles chutavam. Então, como é óbvio, eles é que se fodiam. A questão é que Clapton era “Deus” e João não era nem mesmo um anjo de segunda categoria, muito menos artista. Sendo assim, a sua compulsão por detonar tudo quando as coisas iam bem nã...