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A VOLTA DO DESBOCADO E DESAFORADO MERCENÁRIO DEADPOOL NO FILME DA SEMANA

por Robinson Samulak Alves para CINEMA COM RAPADURA Existem duas formas básicas para contar uma piada num filme: ela pode estar inserida numa sequência ou pode ser feita uma pausa para que ela seja exposta. A primeira costuma ser mais elegante, além de mais trabalhosa e complicada. É preciso inserir um contexto e, ao mesmo tempo, não pode deixar a ação morrer. No segundo caso, a piada tende a ser mais óbvia, podendo até afetar o ritmo, mas dificilmente não será eficaz. “Deadpool 2” consegue se beneficiar de ambas possibilidades, embora opte, sempre que possível, pelo mais fácil.  A trama apresenta o anti-herói assumindo o manto de justiceiro inconsequente, cria um drama pouco convincente e acrescenta novas personagens para tentar oferecer alguma novidade, mas no final, esta sequência não se afasta muito do filme anterior. Cable (Josh Brolin, de “Vingadores: Guerra Infinita”) volta no tempo para matar Russell (Julian Dennison, de “A Incrível Aventura de Rick Baker”), um...

DESCASAMENTOS (por Ademir Demarchi)

Sempre se fala que o brasileiro é o mais festeiro do mundo, apesar de ultimamente o mal humor estar causando a diminuição das festas. Que é festeiro, todos sabem, basta lembrar da imensa folia do carnaval, as festas coloridas das copas do mundo e uma infinidade de outras pelo país. Mas há um tipo de festa em que o brasileiro anda imbatível: as de casamento. Nesse quesito, os brasileiros arrombam, adoram um espetáculo e gastam os tubos nele. E a coisa cresceu tanto que as festas aspiram ser um grande espetáculo da Broadway ou uma apoteose do carnaval. Tem cenário, roteiro e uma equipe de técnicos e produtores que não para de crescer. Há casal que improvisa entrando nos cenários de motocicleta, arriscando cheirar a óleo, ou até de cavalo alazão branco, arriscando uma bela defecada verde vegetariana, mas ainda assim de cheiro questionável e bem no meio do salão. E há quem precise de técnico para encontrar helicóptero, avião, paraquedas, disco voador... Estes dias vi cenas de ...

CAMPEONATO MUNDIAL DE TERRA-DE-CEGO (por Marcelo Rayel Correggiari)

Meu povo e minha pova... ... abrem-se as cortinas de mais um espetáculo! ‘El pueblo’ já foi mais animado nesse sentido. Em tempos idos, vários lugares com bandeirinhas, bandeironas, pinturas semi-rupestres no chão e nos postes, o tal “clima de Copa”. Para quem tem seu comércio, era um período de certo alento nas vendas. Mas com um país que, em termos sociais e políticos, só é de quinta (categoria) porque não tem sexta, haja tesão para tamanha animação. Nesse sentido, o país ‘cresceu’: hoje já temos um time de rugby e já se é possível assistir, em plena terça-feira à tarde, a um Brasil X Alemanha no vôlei feminino por canal de TV aberto. Temos futebol, mas não somente ele. Deixamos para trás um certo sentimento de “... a pátria de chuteiras...” que cegava o país toda vez que a principal competição internacional do famigerado esporte se avizinhava. Hoje, acompanhamos as partidas já certos de que certas falácias como “... redemocratização do país...”. “... país do futur...

UM TEATRO DE OFICINA (por Flavio Viegas Amoreira)

Talvez o ícone mais longevo em atuação no teatro latino americano seja mesmo Zé Celso através desse monumento a liberdade criativa que é o Oficina.... Zé Celso que encenou Gorky com rara maestria num Brasil dado ao panfletário, Zé que dirigiu um Tchekhóv impecável em ´´As três irmãs´´, Zé que no recheio nos deu ´´O Rei da Vela´´ e ´´Roda Viva´´   forças da natureza culturais da brasilidade , Zé que estava em Paris em 1968 e em Lisboa na ´´Revolução dos Cravos´´ em 1974, Zé que é expressão máxima da arte da mais deleuziana cidade do Ocidente: Sampa de Cacilda que um dia vai voltar virar sertão engolida pela Mata Atlântica fazendo fronteira com o mar belo mar selvagem na ribanceira do mundo....Antropofágico, regurgitofágico hoje, Zé Celso nunca foi tão contemporâneo de nossa perplexidade.   O fragmento, a literatura do estilhaço,   a libertação tranZmoderna, essa obra em transe entre Rimbaud e Hakim Bey feita nos trópicos para interpretar o planeta a partir do noss...