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O FILME DESTE FIM DE SEMANA É "BOHEMIAN RHAPSODY" (por Fábio Campos)

O que não falta por aí são cinebiografias chapa branca e fantasiosas, mas confesso que há tempos não assistia uma como Bohemian Rhapsody, a biografia do Queen, focada em Freddie Mercury. A musica do Queen é empolgante. A vida de Freddie é rica, os envolvidos tem um ótimo currículo; Bryan Singer –- que assina o filme, apresar de ter sido demitido antes do final -– tem ótimos trabalhos no currículo. O roteirista Anthony McCarten vem de duas boas cinebiografias: Teoria de Tudo e O Destino de Uma Nação . E Rami Malek vem conseguindo cada vez mais destaque a cada filme de que participa. Tudo apontava para algo, no mínimo razoável, mas o resultado é extremamente decepcionante, um filme totalmente impreciso, superficial e ruim. Claro que para condensar a vida de alguém em pouco mais de duas horas, o recurso mais utilizado é simplificar algumas coisas e criar alguns ganchos inexistentes para manter a continuidade e para que a plateia possa acompanhar melhor a história. Com...

NOSSA CORRESPONDENTE EM MADRID JULIANA ROSANO TRAZ UM CONTO SOBRE SUA RECENTE VISITA À CRACÓVIA

Na varanda daquele a partamento, às margens do Rio Vístula, no centro do Kazimierz – o bairro judeu de Cracóvia, apoiada na grade, pensando como aquele preciso instante poderia ser o momento mais feliz da sua vida. Nada mais tomar um trago da copa de vinho branco que o seu anfitrião amavelmente deixou como cortesia, ele se aproximou por trás, a agarrou pela cintura. As mãos dele passearam pela agora fina cintura dela, sentiu os ossos marcados das costelas, enquanto beijava o pescoço. Ela respirou fundo e simplesmente todos os seus sonhos eram agora realidade. De repente, ela se girou e os seus lábios se encontraram no beijo mais doce que quiçá houvesse existido. Ele tinha os braços entrelaçados nos dela, olhando-a fixamente, como ele costumava fazer antes de que estivessem juntos. Mas agora, ela já não tinha vergonha de olhar para ele e aqueles dois pares de olhos verdes se refletiam entre si. - Se eu te disser uma coisa, você não vai ficar bravo comigo? – ela perguntou ...

TÁCITA ELOQUÊNCIA (uma crônica de Marcelo Rayel Correggiari)

Já diziam os antigos: “Em boca fechada não entram mosquitos”... ... ou “o silêncio vale ouro”. Tinha, também, aquela: “Quem muito fala, ouve o que não gosta”. Todos ‘dizeres’ em torno de certas punições sofridas ao se valer da máxima que certa incontinência verbal pode ser tremendamente prejudicial a qualquer tipo de saúde. Há o extremo oposto: nos casos de traumas e problemas psicológicos severos, ficar de boca fechada pode encurtar a vida. O que fazer, então?! Qual a medida? Não há muito o que possa ser dito. Trocadilho à parte, o equilíbrio na manifestação verbal quase beira a uma ‘grande arte’. Em épocas de participação obrigatória em tudo (sob a ameaça de ser enquadrado(a) como “isentão(ona)”), ficar em silêncio e só opinar quando se tem uma boa base, de fato, para fazê-lo “... é que são elas”. É abrir as tais ‘redes-sociais’ e encontrar “orelhadas” em tudo. E vem a voz da Velha Maria, mãe da minha mãe, em seu costumeiro: “Era isso que você tinha para me dize...

VIOLÊNCIA: UM BOM NEGÓCIO (uma crônica de Alvaro Carvalho Jr)

O casal da Pensilvânia (USA), Corey e Christie Pebble, que sempre trabalhou na área e saúde, descobriu uma nova forma de enriquecer: notícias provocativas, violentas, fake news e afins. O público alvo: liberais e democratas que ousaram votar em Hillary Clinton nas últimas eleições. A ferramenta utilizada pelo insano casal é o site, de nome sugestivo, “Mad World News”, alguma coisa, numa tradução livre, como “Loucas Notícias do Mundo”. Parece inacreditável, mas é verdade. Uma verdadeira fábrica de notícias falsas, agressões verbais, além de uma desavergonhada manipulação da verdade. Surpreendente mesmo é descobrir que se trata de um grande negócio. De assalariados de um serviço de saúde, os dois passaram a empresários num espaço de tempo muito pequeno. E com ganhos surpreendentes: US$ 6,00 por cada grupo de 1000 curtidas. A dupla chegou a faturar a bagatela de US$ 120 mil/mensais que, sem exagero, representam mais de 20 milhões de visitas ao site! Um nível de alucinação a...

DOIS POEMAS INCONFORMADOS E UM RÉQUIEM ESCATOLÓGICO (por Germano Quaresma)

SONETO DE RESISTÊNCIA Tô vendo é que o país vai virar zona Conclui-se pelo novo presidente A gente vamo ter que ser fortona Senão ês vai botar no cu da gente Vam fica junto, as palmas coladona Num solta minha mão, pega dolente É resistência de ducha Corona Num mundo de alegria e de água quente. E, se queimar, nós compra um Lorenzetti Vamo se unir, dedo no cu e boquete Pra que inimigo nenhum nos abuse Ês é judeu, nós faz um banho turco Ao menos divertimo, tá no lucro - Todo mundo pelado na Jacuzzi. POEMA PARA JOÃO DE ARIMATÉIA Sus, temerário, tu da catacumba Já te levantas por fazer-me afronta Mais uma vez. Pois ouve: tua macumba Em nada há de atingir-me, bicha tonta. Se Bruna é minha, isto não te é da conta A gente foge daqui, se amufumba Lá no Caribe, e tu, barata tonta Hás de ficar só, a arrumar quizumba Com pittboys, fascistas e polícias Enquanto eu e Bruninha, nas delícias De Cuba: mar azul e água de coco. ...

OS INVERTIDOS (por Flávio Viegas Amoreira)

Théo olhava o fim de tarde lembrando o verão passado nas ruas de San Lorenzo em Roma. Uma espécie peninsular da Vila Madalena onde conhecera Andrea por quem ainda suspirava de saudade do seu corpo, das tertúlias particulares sobre filmes noir e o desencanto amoroso na andropausa.    Homens maduros são tão desiludidos sobre romance quanto solteironas desistentes.... Passara a noite lendo um ensaio sobre Max Jacob: por quê afinal todos louvam Picasso, Apollinaire e Jean Cocteau esquecidos daquele burlesco poeta tão a cara de MontMartre que foi Max Jacob?    Refletia quanto o vintage literário é gay e quanto o culto a divas como Kiki de Montparnasse e Arlety eram fenômenos de ´entendidos´. - Onde minha coleção de filmes soviéticos? -    pergunta a Jerusa, sua faxineira fissurada por LPS de trilhas sonoras dos anos 70. - Tá aí do lado desse retrato de Rita Hayworth em “Gilda”! - A tarde quero café fraco, me passa essa cópia de Klimt, olha se ch...