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Showing posts with the label Livraria Iporanga

OS VIRGENS SEM LIVROS (uma crônica de Marcus Vinícius Batista)

Éramos dois virgens. Dois profissionais que passavam por aquela experiência pela primeira vez. Isso explicava porque andávamos de um lado para o outro em frente à livraria. Tentávamos amenizar a expectativa e o atraso do visitante com piadas, sorrisos, conversas com outros clientes e papos de boteco – mesmo sem cerveja – sobre futebol. Eu era um jornalista com meia dúzia de anos de carreira. José Luiz Tahan era o dono da livraria Iporanga e, portanto, o sujeito que havia me contratado. A livraria ficava no Gonzaga, bairro nobre de Santos, no litoral de São Paulo. José Luiz também organizava um evento com escritores pela primeira vez e sonhava com voos mais elevados no mercado editorial. De funcionário da Iporanga, passou a sócio. Naquele momento, em 2000, ele já aspirava atrair escritores para um dia transformar seu estabelecimento também em editora. José Luiz, amigo desde a adolescência por conta das peladas nas praias de Santos, havia feito parceria com uma sala de...

CROISSANTS CROCANTES, AMANTEIGADOS E AERADOS: ONDE ENCONTRÁ-LOS EM SANTOS?

por Chico Marques Vinte anos atrás, num comecinho de Inverno como este, meu amigo restauranteur Luigi Marnoto -- na época, proprietário da livraria mais aconchegante que Santos já teve, a saudosa Livraria Iporanga -- me recebeu no balcão mostrando a edição daquele mês da Revista Gula, que trazia (segundo seus próprios editores) uma receita imbatível de croissants, e fez o convite: "Apareça lá em casa no sábado à noite, leve uma ou duas garrafas de vinho tinto, que eu pretendo passar o dia inteiro assando croissants." Quando cheguei lá no sábado, Luigi estava inconsolável: a receita da revista Gula simplesmente não funcionava. Ele já tinha tentado duas fornadas, sempre seguindo o passo a passo ilustrado fornecido pelo staff da revista, e nada: o que saía do forno, no final das contas, nem de longe lembrava um croissant, eram apenas pedrinhas indigestas de massa e margarina. Daí,  desencanamos dos croissants, saímos para comprar pães na padaria mais próxima e fizemo...

QUAL É O SEU SIGNO?

por José Luiz Tahan Nunca fui muito na onda da astrologia, sempre com um pé atrás com aquelas previsões que diziam sobre a fase que enfrentávamos em nossas vidas. Hoje não mudei, com um agravante, acredito um pouco menos nos livros de astrologia. Para falar mais diretamente, acredito menos nas vendas deste gênero. Acho que já se passaram mais de 20 anos, quando me lembro que os esotéricos estavam no auge, e dentro da categoria, os livros de horóscopo. Muitos deles eram sérios (uma coisa é ser descrente, outra é ridicularizar o gênero) e as pessoas também, apenas não participo do movimento. Naquele tempo os livros das editoras Cultrix e Pensamento eram o carro-chefe da turma dos astros, ajudavam a pagar aluguéis e claro que simpatizávamos com os clientes, sempre ávidos por novidades da área. O problema era o nosso total distanciamento com a crença, quando chamados a dar opiniões sobre os títulos falávamos algo como “Esta editora é muito tradicional, séria...” Fazíamos t...

COM O PÉ ESQUERDO (por José Luiz Tahan)

Esta passagem se deu na Iporanga, livraria em que vivi belas histórias. O caixa da livraria ficava perto da entrada, junto da bancada de jornais. Os freqüentadores gostam de folhear os jornais, que fazem sucesso na hora de ver a programação dos cinemas, servem como um serviço simpático. Numa oportunidade recebi a visita do maior ponta esquerda que o futebol já viu. José Macia, o Pepe, me dava boa tarde e abria uma Tribuna, o centenário periódico santista. O Canhão da Vila queria dar uma olhadinha na página de esportes, e me falou: - Se tiver o que procuro... Do meu caixa o cumprimentei e torci para que achasse a matéria que procurava, afinal uma venda é sempre uma venda. Ficamos ali, ele passando os olhos que não podia ver, pois tinha os braços erguidos, criando uma muralha de papel. Exatamente em frente à livraria ficava uma loja de material esportivo, a tradicional Pap´sports. Quase toda tarde se reuniam para um nervoso jogo de palitinho vários veteranos do Santos. Zito, ...

LOS 3 AMIGOS (por José Luiz Tahan)

Sempre gostei de HQs, acho que elas estão entre o cinema e a literatura, podem ser sérias ou ingênuas, além de atrair as crianças para um vício benéfico, o da leitura.  Se você já é barbado não se acanhe, gibi é coisa de adulto também. Este causo se passou em 95, na finada livraria Iporanga, no seu calçadão.  Recebemos naquele verão os “Los 3 amigos”, que vieram com um quarto elemento, o Adão Iturrusgarai.  E foi um dia muito bacana, que até hoje se instalou na minha memória. O pessoal da editora Ensaio foi quem trouxe o quarteto, numa van.  Primeira parada, Lanches Sevilha, a melhor torta de banana do bairro, que ficava bem em frente à livraria, boa vizinhança.  Recebemos a notícia e encontramos Angeli, Glauco, Laerte e Adão com suas barrigas no balcão, pedindo coxinha, pizza em pedaço e gargalhando.  Era um tal de mexer uns com os outros sem trégua que até fiquei um pouco na retranca, vai que sobra pro livreiro...

COMO ME TORNEI LIVREIRO E A DESEDUCAÇÃO VOCACIONAL (por José Luiz Tahan)

Isto se passou em 1990 e eu estava com 18 anos, sem dinheiro no bolso e com vontade de fazer uma faculdade. O plano era simples: arranjar um emprego que ajudasse nos custos do curso de Arquitetura. Para isso reuni as minhas referências, que eram uma pasta cheia de bicos de pena e alguma cara-de-pau. O resto era chute. Visitei e preenchi fichas de emprego em lugares que me pareciam legais. Locadora de filmes, loja de departamentos (não é legal, mas era caminho), loja de foto (putz), agência de publicidade e até numa livraria chamada Iporanga. Em todos os lugares deixei um telefone de uma vizinha meio coroa, com alguma boa vontade, mas um tanto distraída, como já vou explicar. O telefone depois de uns dias tocou e a vizinha deu um recado um tanto truncado - disse que o Zé Preto, ou será Zé Alfredo, Zé Pedrinho? Bah! Um tal Zé-não-sei-o-quê ligou para você e disse para que o procurasse. Aí eu disse: mas daonde é este homem? Ela: deixa de ser braço-curto menino, eu, na sua i...