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"MEU FUSCA": UMA BOFETADA DO PASSADO DE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Se entendi bem, carros movidos a diesel da Volkswagen eram equipados com um computador mentiroso. Quando o carro era testado para se saber se estava poluindo o ar ou não o computador dizia “Nein!”, até com um certo tom de ultrajado. Usados normalmente, longe da inspeção, os carros envenenavam o ambiente à vontade, abençoados pelo computador. Que, além de salafrário, era inteligente. Sabia quando era teste, e ele deveria mentir, e quando não era. Não me pergunte como. Que mundo é este, em que não se pode confiar mais nem na engenharia alemã? Me lembrei, com carinho, do meu primeiro carro, um Fusca cor de chocolate. Podia-se dizer tudo sobre o Fusca — um dos seus apelidos era Cascudo Maldito — menos que não fosse honesto. Ele era desprovido de qualquer ornamento supérfluo, o que significava que custava pouco. Havia algo de sério e confiável na sua simplicidade, e era fácil mantê-lo e estacioná-lo. E ele nos serviu com segurança durante muito tempo. Uma vez fomos ...

ESTE LIVRO VESTE QUE É UMA BELEZA (por José Luiz Tahan)

A mesma pergunta se repete ano após ano:  Tudo bem dar livros de presente em ocasiões como o Natal?  E a resposta também se repete: Sim, claro!  Cabe nestas linhas analisar o saudável hábito de presentear com livros. Um livro aproxima as pessoas. Quando alguém se arrisca a pensar em como o conteúdo da obra combina com a pessoa presenteada, é um passo de comunhão.  A gente nota isso na hora da abertura do pacote, nas feições expressadas pelo futuro leitor. Alguns livros raramente são dados de presente.  Difícil embrulhar o "Minha Luta", de Hitler, por exemplo.  A crônica, o humor e os romances são os campeões de bilheteria. Muitos outros pontos são favoráveis para se lembrar do presente-livro. Eles não apertam o joanete e vestem que é uma beleza, até para quem ganhou uns quilinhos e só usa preto ultimamente. Não assusta uma cor cítrica na capa, como aquela da camisa berrante que você deu no último amigo-secreto, lem...