Ao acordar, a estranheza começou quando ele passou a mão no rosto. A barba crescera muito rápido, assim como os cabelos. Olhou para o peito, tateou as pernas. A depilação da semana passada, com a nova técnica africana do momento, deveria ser charlatanismo. O sono transformou o deserto em matagal. Ele se levantou, ainda no escuro, e caminhou até o banheiro. Acendeu a luz, encheu a privada. Os pelos também se multiplicaram. Sorrindo, pensou que, ao contrário do peito e das pernas, mais era sinal de masculinidade. O sorriso foi digerido instantaneamente quando se virou para o espelho. Não enxergava as bochechas. O queixo virara um rascunho. Ele virara um macaco. Na cozinha, nenhum susto. Mãe e pai sacolejavam da bancada para a mesa, da mesa para o armário. Saltavam com pressa, descascavam bananas. Enquanto o pai as picava e batia com leite no liquidificador, a mãe misturava a outra parte com aveia, produzindo aquela maçaroca calórica idolatrada pelo filho único. O garot...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO