Rever o “Rei da Vela” sempre acresce -- imagino a maturação da peça para quem viveu 1968 e agora reassiste! Se teve imensa função durante aquele abjeto governo Costa e Silva e sob a Guerra do Vietnã não seria noutra ocasião maior impacto: nem durante a reabertura de Geisel, as Diretas Já ou na ascensão de Lula em 2002 depois do governo FHC, nunca o espetáculo-manifesto foi tão útil para reflexão das tramas do capitalismo, os tentáculos do imperialismo e a manutenção da desigualdade sócio-econômica no Terceiro Mundo. Oswald foi quase pedagógico no texto-fonte e a adaptação ainda carrega nas tintas desse didatismo visceral dessa distopia insistente de opressão e parasitismo do mercado institucionalizado. Se falávamos em economia de mercado hoje trabalhamos com idéia mais perversa: sociedade de mercado, coisificação pelo consumo, descartabilidade do ser pelo horror econômico. A caricatura faz emergir o paroxismo dos personagens e da práxis selvagem do colonialismo brasileir...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO