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OS DEZ ANOS DE "POESIA SEMPRE", DE NARCISO DE ANDRADE (por Márcio Calafiori)

Foi só aos 81 anos que o poeta Narciso de Andrade autografou o seu primeiro livro e único, Poesia Sempre , obra que acaba de completar dez anos. O evento ocorreu numa quinta-feira, 30 de novembro de 2006, na Universidade Santa Cecília. Já um tanto combalido pela doença, Narciso recebeu os amigos e admiradores que há muito aguardavam a reunião de sua obra poética, considerada uma das mais importantes já produzidas em Santos e que ao longo dos últimos cinquenta anos fora sempre publicada em jornais e revistas. É cada vez mais difícil deparar poetas como Narciso. Entender o que um poeta escreve hoje em dia ficou complexo demais. O crítico C.P. Snow disse certa vez que lemos para sentir um tipo de prazer que o homem teve ao aprender a falar: ou seja, ouvir histórias. Quando a literatura se afasta demais desse impulso primal, é sinal de que a arte está em declínio, salienta Snow. A poesia de Narciso de Andrade reverte essa sensação de declínio da arte. Ao lê-lo, nos enca...

NARCISO DE ANDRADE, O POETA DO VENTO E DAS MARESIAS (por Adelto Gonçalves)

Para conhecer melhor a obra poética de Narciso de Andrade, é preciso primeiro saber um pouco de sua vida. Embora seus versos raras vezes tenham conseguido ultrapassar as fronteiras da província, o poeta sempre esteve ligado ao que acontecia no mundo em termos de poesia. Sempre foi moderno, ainda que, como disse Octavio Paz, o moderno seja também uma tradição. Essa modernidade foi o que sempre fez de Narciso um poeta avesso a todos os sectarismos, mesmo numa época em que parecia que a sorte dos deserdados da terra seria mudada pelos ventos que vinham da Europa Oriental. Narciso de Andrade Neto, filho de Agenor Andrade e Celina Penteado, nasceu em São Paulo no dia 20 de julho de 1925, um ano e cinco meses depois de seu grande amigo Roldão Mendes Rosa (1924-1989), opoetirmão, como se definiam. Da São Paulo da década de 20, que ainda vivia os derradeiros anos da belle époque, apesar de toda agitação promovida por Mário de Andrade e seus modernistas, ele nada carrega na lembrança porq...