por Carlos Natálio (de Lisboa) para Um coração vivo pulsa em grande plano e ouvimos o Stabat Mater de Franz Schubert. Haverá forma mais in your víscera de começar um filme? Ou melhor, de nos sinalizar que o que se seguirá é um filme do peito e que irá tocar o mais íntimo, o mais profundo de cada um de nós? Momento de pausa para pensar: é um filme do grego Yorgos Lanthimos, o que significa que, para desgosto das comadres cassavetianas, nas próximas duas horas, com muita probabilidade, se iria trocar a singularidade das personagens pela bizarria das situações. Quereis ver então, caro espectador, que nos primeiros segundos de “O Sacrifício do Cervo Sagrado” (2017) já podíamos dizer com quase toda a certeza que iríamos caminhar pelo filme a quatro patas, feitos sagrados cervos? Bom, a resposta a esta questão é… não sei. A câmara vai recuar e nós vamos ver uma operação real ao coração que serve para nos ambientarmos com o trabalho do nosso protagonista, o cirurgião cardí...
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