Tem uma “senhorinha” numa das esquinas do Gonzaga, o bairro onde eu moro e trabalho aqui em Santos, que todo santo dia entrega panfletinhos na calçada para o povo apressado. São panfletos de aparelhos para surdez. Apesar de publicitário, não costumo apanhar os panfletos que as dezenas de desempregados, os sobreviventes da informalidade, distribuem nas ruas desse tradicional pedaço da orla de Santos. Não os apanho por vários motivos... e por mais curiosos que vocês estejam, eu não vou dizer quais são. Mas a “senhorinha” dos aparelhos de surdez, com seu semblante cansado, a pele enrugada pelo severo sol santista e sempre com um leve sorriso nos lábios, acabou me conquistando. Ao ver esticado o seu curto bracinho em minha direção, não tive como não apanhar o panfletinho mal diagramado. Quando percebi que era uma propaganda de um aparelho de surdez, confesso que estanquei o meu projeto de sorriso e a olhei com um certo ar de censura. Porra, tenho 57 anos mas, como diz o meu ...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO