Soneto de Carnaval Distante o meu amor, se me afigura O amor como um patético tormento Pensar nele é morrer de desventura Não pensar é matar meu pensamento. Seu mais doce desejo se amargura Todo o instante perdido é um sofrimento Cada beijo lembrado é uma tortura Um ciúme do próprio ciumento. E vivemos partindo, ela de mim E eu dela, enquanto breves vão-se os anos Para a grande partida que há no fim De toda a vida e todo o amor humanos: Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo Que se um fica o outro parte a redimi-lo. Vinicius de Moraes, in 'Antologia Poética' Marcus Vinicius de Moraes (18/10/1913 - 09/07/1980) poeta, jornalista, compositor, músico e diplomata na linha direta de Xangô, dispensa apresentações. No poema acima ele reflete sobre aquele que, para muitos, é um dia triste.
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