texto e entrevista por Walter Negrão publicado na Revista Status nº33 (1977) Quando conheci Plínio Marcos em 1967, ele ficava oito horas seguidas por dia diante de um televisor, de uma máquina de escrever e de um grande relógio, trancado num cubículo nos fundos dos corredores da TV Tupi. Anotava cada um dos comerciais levados ao ar para depois fazer o relatório. Seu maior sacrifício era justamente datilografar a identificação de um comercial nos quinze segundos que ele durava. Talvez venha daí sua aversão por máquinas de escrever. Até hoje, Plínio tem escrito toda a sua obra teatral, e mesmo os romances, a mão. Como diz ele, durante algum tempo nós nos desencontramos, nos perdemos nas quebradas do mundaréu. Quando voltei a topar com Plínio, ele já era o mais discutido, o mais polêmico autor teatral brasileiro. O próprio Nelson Rodrigues já havia parado para dizer que, se merecia um seguidor, esse seguidor certamente só poderia ser Plínio Marcos. Dono de uma obra que ...
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