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"OS VIRA-LATAS DA MADRUGADA" ESTÃO DE VOLTA (uma resenha ao léu por Wil Prado)

Um dos mais representativos e importantes romances do “jornalismo literário” no País — premiado e com grande repercussão na época do lançamento, mas há anos esgotado nas livrarias—, Os Vira-Latas da Madrugada retorna em segunda edição com ilustrações e um belo acabamento gráfico. E podemos constatar que, infelizmente, essa lacuna de tempo não desatualizou o seu cenário e enredo: mais de três décadas depois ainda deambulam pelas praças, ruas e cais das nossas grandes metrópoles os mesmos vira-latas que Adelto Gonçalves, autor do livro, com refinada sensibilidade e aguda observação, pinçou da realidade e os colocou em movimento nas densas páginas que iriam emocionar toda uma geração. Mas, para que os leitores possam se situar e compreender o drama, é importante que falemos um pouco sobre o seu contexto geográfico e social. E, naturalmente, sobre o seu autor, que viu de perto e até podemos dizer que sentiu na pele tudo que narrou. O romance se desenrola no bairro Paquetá,...

WIL PRADO: ESTREIA TARDIA, MAS AUSPICIOSA (uma resenha ao léu por Adelto Gonçalves)

I Escrito em tom coloquial e próximo ao de um diário íntimo, o romance Sob as Sombras da Agonia (Lisboa, Chiado Editora, 2016) marca a estréia no gênero (tardia, mas auspiciosa) do jornalista, contista, cronista e crítico literário Wil Prado (1952). Saudado com entusiasmo por romancistas experientes e consagrados, como Raduan Nassar (Prêmio Camões de 2016) e João Almino, o livro demorou anos para sair à luz e traz flagrantes influências dos anos 70, época em que o boom da ficção latino-americana conquistou corações e mentes da geração de futuros escritores nascida nos anos 50. Essa constatação é avalizada pelo jornalista e poeta Salomão Sousa na apresentação que escreveu para este livro de seu antigo colega de redação no Correio do Planalto na Brasília daqueles anos, na qual observa que Sob as Sombras da Agonia não se trata de um romance de formação, “mas de crítica social, descendente de Graciliano Ramos e de Dostoiévski e de outros mestres que lidam com o questionament...