As mulheres estão escravizadas pelos ditames da cultura contemporânea, que combina narcisismo e consumo com culto à superficialidade. São condenadas a se olharem ao espelho à procura de alguém parecida, por exemplo, com os traços esguios, os belos cabelos de lisas ondulações perfeitas, o sorriso, o charme de Giseles Bündchens. O espelho não mente e não é uma outra dimensão borgiana por onde se possa entrar. Ao se olharem e encontrarem uma “outra”, mesmo que com todas as qualidades, que recusam por não ser a idealizada, ganham seu bilhete para o inferno diário das seguidas trocas de roupas, estica-e-puxas, pinturas, penteados, tinturas, cremes, perfumes, e sabe-se lá mais o que andam inventando para tapar esse buraco sem fundo preenchido por coisas das quais paradoxalmente se tornaram apêndices – às quais se somam, é claro, quando há um homem por perto, seguidas perguntas de “está bom assim?” ou “fiquei bem?” O sintoma disso está presente nas ruas, no crescente e já exorb...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO