Quando minha mãe ia embora, o meu choro explodia — vinha de uma essência incontrolável. Depois, tudo me distraia: o espinho do cacto que percorria a carne, a casinha do joão-de-barro, a laranja-de-umbigo, a bosta das vacas, os chapéus-de-cobra, as abelhas fazendo mel, o cemitério, a sanga, o ônibus a caminho de Jaguarão, as tardes mornas em que eu pulava a janela para furar os bolos de Maria Beiró. Eu corria atrás de seu Belinho, gritando, implorando pra que não matasse o porco: — Ele é meu amigo! Mas seu Belinho metia a faca: o porco gritava me dizendo adeus. Às vezes, a chuva me impedia de sair ou então só quando a geada derretesse. No alto do cerro morava uma velha... Negra Rosa botava a chaleira para o mate Vovó batia as claras para o merengue Tia Mimosa conversava com o rádio de pilha O gaúcho passava a cavalo. À noite, na saleta do casarão, Eu ouvia a voz da minha mãe: vinha como do balde atirado à cacimba. O lampião iluminava os retratos na ...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO