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Showing posts with the label Companhia das Letras

THOMAS PYNCHON ESTÁ DE VOLTA COM MAIS UM DE SEUS CALHAMAÇOS CALEIDOSCÓPICOS.

por Chico Marques Não é de hoje que aquele conceito clássico do romance com mais de 500 páginas -- que por anos e anos foi regra entre os editores americanos -- deu lugar a volumes menores, mais ou menos com a metade deste tamanho. Num mundo em que as pessoas escrevem de forma cada vez mais sintética, e qualquer romance, por mais interessante e apelativo que seja, precisa brigar para conseguir permanecer no foco do leitor mais interessado, ficam as perguntas: Que futuro pode ter hoje no mercado editorial uma romance do tipo "saga familiar" feito aqueles que por muitos e muitos anos dominaram as listas de best-sellers? Que leitor adulto  nos dias de hoje  ainda tem paciência e tempo sobrando para poder mergulhar numa aventura assim? Claro que estão excluídos deste questionamento aquelas intermináveis trilogias e tetralogias de livros juvenis que mesclam elementos de romance com terror (para as meninas) e de sci-fi com aventura (para os meninos). Cla...

FRANK, O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA - PARTE 2 FINAL (por Márcio Calafiori)

leia aqui a parte 1 Apesar do sucesso no rádio e dos discos gravados na Columbia Records, Sinatra ainda não convencera a crítica. Uma coisa era agradar as adolescentes que iam vê-lo no Paramount, outra muito diferente era conquistar o público adulto. No fim de 1943 ele já passara pelo teste de cantar acompanhado com as filarmônicas de Cleveland, Filadélfia e Los Angeles, e de ter se apresentado em casas que atraíam plateias exigentes. Em ambas as situações foi bem-sucedido. Uma noite, na Wedgwood Room do Waldorf-Astoria, foi aplaudido por ninguém menos que Cole Porter. A fama, porém, lhe trazia mais e mais aborrecimentos. Um deles vinha do preconceito por ser descendente de italianos. As constantes aporrinhações o perseguiam materializadas no jornalismo de fofocas. Embora tenha sido dispensado de servir o exército durante a Segunda Guerra Mundial por causa de uma perfuração no tímpano esquerdo e de uma mastoidite crônica, além de apresentar instabilidade emocional e estar ab...

FRANK, O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA - PARTE 1 (por Márcio Calafiori)

— Sinatra salvou a minha vida.  Cinco sujeitos estavam me batendo e eu ouvi ele dizer: “Chega!” Na época, essa piada do humorista Shecky Greene ficou famosa. Só que não era piada. Em 1967, ele levou mesmo uma surra encomendada por Frank Sinatra. A diferença é que o cantor não estava presente para dizer: “Chega!”. Greene tinha a compleição de um jogador de futebol americano, era alto, compacto, forte. Sinatra media 1,70. Durante boa parte da vida foi extremamente magro — na idade adulta chegou a pesar 55 quilos, um nanico magricela com cara de pizza, segundo os gozadores. Diante dessa desproporção, Frank não teve peito de encarar o humorista. Então ordenou a surra. Shecky Greene foi parar no hospital. Não precisava muito para que Sinatra recorresse à violência. No caso de Greene, a encrenca foi porque o comediante lhe fez um desaforo. E se havia uma coisa que Frank não levava pra casa era isso. Poucos tinham coragem de enfrentá-lo. O maior cantor do século só andava e...

HOJE, EM RESENHAS AO LÉU, CHICO MARQUES COMENTA A VERSÃO ILUSTRADA DE "AS CIDADES INVISÍVEIS" DE ÍTALO CALVINO.

por Chico Marques Tive meu primeiro contato com a obra de Ítalo Calvino no início dos Anos 80, quando adquiri num Sebo em Brasília três romances que faziam parte de uma trilogia -- O Visconde Partido ao Meio (1952), O Barão nas Árvores (1957) e o Cavaleiro Inexistente (1959) -- editada pela Editora Expressão & Cultura em 1971. Li "O Visconde...", não gostei, e encostei os outros dois na estante. Pouco tempo depois, vi exposto numa livraria um novo livro de Calvino com um título enigmático, "Se Um Viajante Numa Noite de Inverno", numa bela edição da Editora Nova Fronteira. Li o primeiro capítulo em pé na livraria. Não demorei a perceber estar diante de autor completamente diferente do que escreveu "O Visconde...". Me pegou de jeito. Levei para casa. Fiquei fascinado com aquela narrativa circular, que sempre voltava ao ponto de partida sob uma ótica diferente, e nunca deslanchava pra valer, pois preferia mergulhar dentro de si própria. Li diversa...

RESENHAS AO LÉU: BOB DYLAN E SUA MÚSICA LITERÁRIA (OU SUA LITERATURA MUSICAL)

por Chico Marques Não existe, nunca existiu, e talvez nunca venha a existir nada na música popular americana que se compare a Bob Dylan. Seja em  grandeza poética, em postura existencial, em atitude musical, no que quiser... Depois de ganhar o Nobel da Literatura então, q ualquer comparação que ainda pudesse ser estabelecida entre ele e qualquer outro artista se revela inútil. Bob Dylan é o máximo, ponto. Desnecessário dizer que a Academia Sueca não premiou Dylan por conta de seu complexo mas duvidoso romance "Tarantula", de 1971 (recentemente relançado no Brasil pela Editora Planeta), nem por suas surpreeendentes "Crônicas, Volume 1", de 2004 (Editora Planeta), considerado pela Billboard "o melhor livro sobre música já escrito". Não. Dylan foi laureado por sua contribuição literária como compositor popular -- algo inédito na história do Nobel. Passados alguns meses da polêmica premiação -- que se seguiu de um mau jeito diplomático entre...