SHORT CUTS: QUANDO ROBERT ALTMAN CONSEGUIU FAZER A VIDA CABER NUM FILME por Rodrigo de Oliveira para PAPO DE CINEMA Uma mosca na parede. Era como o diretor Robert Altman queria que os espectadores se sentissem ao acompanhar um de seus filmes. Éramos, afinal de contas, testemunhas de cenas tão particulares, tão corriqueiras e naturalistas, que não raro nos sentíamos intrusos. Como se não pudéssemos estar ali, ao lado de um casal em crise, ou de uma família disfuncional, sem chamar a atenção para nossa presença. Este sentimento de imersão em vidas tão próximas da realidade era um dos predicados mais destacáveis da carreira do cineasta norte-americano, conhecido até então por clássicos como o satírico M.A.S.H. (1970) e o múltiplo Nashville (1975). Na década de 1990, o diretor nos brindou com dois de seus melhores trabalhos: o crítico e divertido O Jogador (1992) e o magistral Short Cuts: Cenas da Vida. Ambos são excepcionais, ainda que seja inegável a contribuição maior deste úl...
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