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"MUITO BARULHO POR NADA": UM TRIUNFO CINEMATOGRÁFICO DE KENNETH BRANAGH

por Chico Marques De todas as comédias de William Shakespeare adaptadas ao cinema, "Muito Barulho Por Nada", dirigido e interpretado por Kenneth Branagh, é disparado a melhor. Branagh, hoje um especialista em filmes de ação para Hollywood, já nos brindou com cinco incursões sensacionais pela obra do grande dramaturgo inglês, sempre atuando brilhantemente como diretor e ator, e apresentando-se como um novo Laurence Olivier, ou coisa que o valha. Convencendo alguns e outros nem tanto. Mas jamais obtendo atitudes indiferentes como resposta a seu trabalho. A primeira dessas incursões shakespearianas foi a premiadíssima "Henrique V", onde Branagh surpreendeu de forma estremamente positiva com o ritmo da ação que conseguiu imprimir ao filme, dando ao texto original -- que não é alterado em momento algum -- uma agilidade impressionante e um alto  gabarito cinematográfico que só serviu para valorizar ainda mais a obra do grande dramaturgo. Tivemos sete ...

ELI ROTH TRANSFORMA TORTURE-PORN EM TEATRO DO ABSURDO EM "KNOCK KNOCK"

por Marcelo Hessel para OMELETE Como naquele quadro do CQC em que comentaristas de Internet são chamados a defender seus pontos de vista diante da câmera no "mundo real", o terror psicológico em Bata Antes de Entrar (Knock Knock, 2015) surge da perplexidade de ver nossas noções de convívio se desmancharem diante dos nossos olhos quando o virtual invade a realidade. Essa seria uma forma de enxergar o filme dirigido por Eli Roth, simpática ao drama absurdo do seu protagonista, vítima de uma fantasia pornô que se materializa em tribunal, mas logo descobrimos que não é a única. O longa abre com travelings que descem do céu e vão reduzindo seu raio de alcance até chegar à isolada casa de Evan (Keanu Reeves) nos arredores de Los Angeles, como um comercial de operadora que mostra o sinal da Internet viajando e trazendo o mundo para a sua porta. Esse contato com o exterior, com o mundo físico (e que físico!, na forma de duas jovens belas e desequilibradas que invad...

"DRACULA" DE FRANCIS COPPOLA RESISTE AO TEMPO COM CORES FORTES E EMOCIONANTES

por Chico Marques  para BLACK & WHITE IN COLOUR Quem acompanha a carreira de Francis Ford Coppola ao longo dos últimos (quase) 50 anos, sabe muito bem que não existe gênero ou limite para sua atuação como realizador cinematográfico. Seu trabalho autoral é absolutamente pós-moderno. Dono de uma filmografia ampla e variada, ele passeou sem o menor problema pelos gêneros mais distintos: da comédia rasgada "American Grafitti", "Peggy Sue Got Married") ao musical ("Finian's Rainbow", "One From The Heart"), dos thrillers (A Conversação", "The Rainmaker") aos dramas familiares ("The Godfather", "The Rain People", "The Great Gatsby"), dos dramas juvenis ("The Outsiders", "Rumble Fish") aos experimentalismos mais radiciais ("Apocalypse Now!", "Tetro", "Old Youth"). Daí, ninguém se surpreendeu quando, no início da década de 1990, Coppola anunc...