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PARADISO TOP 5: CINCO ÓTIMOS FILMES ARGENTINOS PARA NÃO-INICIADOS

RELATOS SELVAGENS (Relatos Salvajes, 2014, 122 minutos, direção: Damián Szifrón) Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle. Dividido em seis histórias curtas, mostra com um humor nada sutil situações em que o ser humano chega ao seu limite e comete verdadeiras selvagerias. Quem está cansado do humor água com açúcar dos filmes hollywoodianos, vai se ver dando boas gargalhadas das situações absurdas deste filme de Damián Szifrón. O SEGREDO DE SEUS OLHOS (El Secreto de Sus Ojos, 2009, 127 minutos, direção: Juan José Campanella) Durante muitos anos, Benjamín Espósito (Ricardo Darín) trabalhou no Tribunal Penal argentino, como um oficial de justiça. Após a aposentadoria, com todo o tem...

O FILME DA SEMANA É "UM LUGAR SILENCIOSO", DE JOHN KRASINSKI

por Sérgio Prior para Sétima Arte John Krasinski não é apenas um sujeito bonito. Ele sabe atuar -- não só em comédias --, escrever e dirigir. Partindo do pressuposto que o nosso planeta passou por uma hecatombe, só conseguem sobreviver os humanos que não emitirem sons. Não há maiores explicações para o fato. Ainda bem. Caso ocorressem quaisquer frêmitos criaturas alienígenas atacam e matam. A família composta pelo pai (John Krasinski), mãe (Emily Blunt), filha (Millicent Simmonds, em atuação brilhante) e filho (Noah Jupe) vivem silenciosamente numa casa isolada. Uma espécie de bunker, com câmeras de vigilância, alimentos armazenados e armas. O fato da filha ser surda, a família tem a comunicação por sinais facilitada. Há pouquíssimos diálogos ao longo dos 90 minutos do filme. Uma das cenas mais emblemáticas é aquela na qual o pai leva o filho para uma cachoeira, que serve para bloquear os sons por ele emitidos, e, dessa forma, eles pode...

GANA (por Marcelo Rayel Correggiari)

Acho que começou com uma privação. Foi o que me disseram. Nunca ficou muito claro. Deve ter sido isso. Dizem os especialistas que têm duas coisas que mexem muito com o cérebro: trauma e privação. Quando acontecem com alguém, é o despertar de uma inconsciência capaz de perpetrar os mais obtusos gestos. Teve origem muito pobre. Migrante, fugiu da fome. Acho que deve ter sido isso. Privação, deve ser esse o nome. Dizem os especialistas que qualquer forma de privação, comida, trabalho, dinheiro, sexo, saúde, lazer, roupa, transporte, água, educação, faz com que qualquer um mude radicalmente sua maneira de pensar. O mais grave é que esse ‘novo pensar’ pouco tem a ver com aquele mínimo de bom-senso no interior da realidade. Vejam seu principal aliado no Congresso: preso, reclamou da falta de conforto do camburão quando transferido para assistência médica. Fala como se não estivesse preso, cumprindo pena.  Estranho isso? Nem tanto... faz tempo que age como se não fo...

MANUAL DO ATOR PENSANTE PARTE 3 (por Flávio Viegas Amoreira)

‘’ SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE UM AUTOR.’’ – PIRANDELLLO. Santos, 07 de maio de 2.003. ‘’ aplicabilidade, - do método. ‘making-off’ – da carpintaria’’ ‘’ William Blake aplicado à dramaturgia; Corpo e Alma, Arte e biografia, unidade pós-moderna do real e simulacro.’’ -         fractal – estrutura geométrica complexa cujas propriedades, em geral , repetem-se em qualquer escala.  Diritambo - primitivamente -         canto de louvor ao deus grego Dioniso. -         ( o Baco dos romanos ). -         composição poética sem estrofes regulares quanto ao número, de versos e pés. Diritambos.’’ Santos, 09 de maio de 2.003. ‘’ A palavra, Tom , a palavra mesmo que excede seu elemento, - transcende, - se redefine. -         Comecemos a leitura: seu processo e...

CENAS URBANAS NUM DIA E NO OUTRO (uma crônica de Ademir Demarchi)

I - Numa manhã, ao sair do prédio, um flamboyant enche os olhos e a rua, saindo da calçada como um imenso volume verde que se espalha em longos galhos de folhas e flores enternecendo os que passam com a sensação física de cruzar sob ele, benzidos por seus braços sobre as cabeças. Ele está ali desde sempre, porém hoje a incidência de luz especial proporciona uma majestade inesperada. O impacto de sua visão não cessa e se transfere, enquanto se transita, como uma continuada sensação de ver novos seres verdejantes pelas ruas, que entram pelos olhos, não por suas particularidades, mas pela massa e volume de verde vistosos. Noutra manhã, ao sair do prédio, o flamboyant é apenas o tronco e alguns galhos mais grossos que restaram, amputado de sua massa verde e dos galhos que, sem impedir o trânsito, se debruçavam sobre a rua. Os pássaros que nela habitavam ou faziam algazarra, sumiram. Os prédios azulejados estão à vista, toda a beleza se foi, roída pela incompetência administrativa mu...