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Showing posts with the label Mário Faustino

DIVISAMOS ASSIM O ADOLESCENTE: versos sacânicos de MÁRIO FAUSTINO

Divisamos assim o adolescente, A rir, desnudo, em praias impolutas. Amado por um fauno sem presente E sem passado, eternas prostitutas Velavam por seu sono.  Assim, pendente O rosto sobre o ombro, pelas grutas Do tempo o contemplamos, refulgente Segredo de uma concha sem volutas. Infância e madureza o cortejavam, Velhice vigilante o protegia. E loucos e ladrões acalentavam Seu sono suave, até que um deus fendia O céu, buscando arrebatá-lo, enquanto Durasse ainda aquele breve encanto Mário Faustino nasceu em 1930 em Teresina e morreu em 1962, vítima de acidente aéreo. Jornalista, crítico literário e poeta, Mário editou entre 1956 e 1959, a página semanal Poesia-Experiência no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil,   apresentando um panorama poético que englobava tanto poetas clássicos quanto poetas iniciantes, e apresentava o melhor da produção estrangeira do gênero. "O Homem e Sua Hora" (Cia das Letras) fo...

A POÉTICA MAGNÍFICA DE MÁRIO FAUSTINO PARA ABRIR A SEMANA COM SANGUE NAS MÃOS

SINTO QUE O MÊS PRESENTE ME ASSASSINA Sinto que o mês presente me assassina, As aves atuais nasceram mudas E o tempo na verdade tem domínio sobre homens nus ao sul das luas curvas.  Sinto que o mês presente me assassina,  Corro despido atrás de um cristo preso,  Cavalheiro gentil que me abomina E atrai-me ao despudor da luz esquerda  Ao beco de agonia onde me espreita  A morte espacial que me ilumina. Sinto que o mês presente me assassina  E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas  De apóstolos marujos que me arrastam  Ao longo da corrente onde blasfemas  Gaivotas provam peixes de milagre.  Sinto que o mês presente me assassina,  Há luto nas rosáceas desta aurora, Há sinos de ironia em cada hora  (Na libra escorpiões pesam-me a sina)  Há panos de imprimir a dura face  À força de suor, de sangue e chaga.  Sinto que o mês presente me assassina,  Os derradeiros astros nascem tortos...

POEMINHA DE SEGUNDA: SINTO QUE O MÊS PRESENTE ME ASSASSINA (por Mário Faustino)

Sinto que o mês presente me assassina Sinto que o mês presente me assassina,  As aves atuais nasceram mudas E o tempo na verdade tem domínio sobre homens nus ao sul das luas curvas.  Sinto que o mês presente me assassina,  Corro despido atrás de um cristo preso,  Cavalheiro gentil que me abomina E atrai-me ao despudor da luz esquerda  Ao beco de agonia onde me espreita  A morte espacial que me ilumina. Sinto que o mês presente me assassina  E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas  De apóstolos marujos que me arrastam  Ao longo da corrente onde blasfemas  Gaivotas provam peixes de milagre.  Sinto que o mês presente me assassina,  Há luto nas rosáceas desta aurora, Há sinos de ironia em cada hora  (Na libra escorpiões pesam-me a sina)  Há panos de imprimir a dura face  À força de suor, de sangue e chaga.  Sinto que o mês presente me assassina,  Os derradeiros astros nascem tor...

POEMINHA DE DOMINGO (por Mário Faustino)

Sinto que o mês presente me assassina Sinto que o mês presente me assassina,  As aves atuais nasceram mudas E o tempo na verdade tem domínio sobre homens nus ao sul das luas curvas.  Sinto que o mês presente me assassina,  Corro despido atrás de um cristo preso,  Cavalheiro gentil que me abomina E atrai-me ao despudor da luz esquerda  Ao beco de agonia onde me espreita  A morte espacial que me ilumina. Sinto que o mês presente me assassina  E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas  De apóstolos marujos que me arrastam  Ao longo da corrente onde blasfemas  Gaivotas provam peixes de milagre.  Sinto que o mês presente me assassina,  Há luto nas rosáceas desta aurora, Há sinos de ironia em cada hora  (Na libra escorpiões pesam-me a sina)  Há panos de imprimir a dura face  À força de suor, de sangue e chaga.  Sinto que o mês presente me assassina,  Os derradeiros astros nascem tor...