Skip to main content

Posts

Showing posts with the label Marcelo Mirisola

LEVA UM CASAQUINHO ESCOLHE OS DEZ MELHORES LIVROS DE 2016 (por Chico Marques)

1. COMO SE ESTIVÉSSEMOS EM PALIMPSESTO DE PUTAS (Elvira Vigna - Cia das Letras ) Aos 69 anos de idade, com 10 romances publicados, Elvira Vigna está de volta neste  Como Se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas , que passeia pelo universo da prostituição em Copacabana como pretexto para um mergulho profundo nas vicissitudes da vida urbana.  Seus personagens são desprovidos de glamour. São seres urbanos com  vidas devastadas tanto em termos afetivos quanto em termos emocionais e pessoais,  irremediavelmente presos a hábitos que são daninhos a eles próprios, mas sem os quais a vida deles não faz sentido.  Estamos diante de um grande romance que aborda, antes de mais nada,  a solidão e o desalento, e que não cai em momento algum em julgamentos morais ou psicologices. 2.  ESTAÇÃO ATOCHA (Ben Lerner - Rádio Londres ) Temos aqui um protagonista que faz coisas incríveis e excepcionais, age de forma imprevisível, talvez até possa ser classificado...

MIRISOLA NO AQUÁRIO (por José Luiz Tahan)

Nos idos de 90, mais pro começo da década, eu era um livreiro ainda calouro, na lendária livraria Iporanga, no coração do Gonzaga, aqui em Santos. Atendia muitos clientes e absorvia muita informação vinda deles, que sempre – e até os dias atuais – mais me ensinavam do que o contrário. Um desses clientes era um cara discreto. Suas visitas frequentes não passavam despercebidas por causa do gosto literário. Eu sacava rápido quem tinha identidade como leitor. Esse é um gosto vivido por livreiros: a gente pratica um voyeurismo intelectual. Sabemos as suas leituras, suas ideologias, e em parte o que você pensa. Esse cliente se virava bem. Um dia foi Elias Canetti, "O Todo-Ouvidos". Numa outra visita, Henry James. Mais adiante, "Crazy Cock", do Henry Miller. Esta última leitura o pegou de jeito. O homem se alimenta do que lê, e essa dieta de ficção gerou um escritor dos bons, eu vim a saber. Só descobri que aquele cliente tinha se tornado escritor ...