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CAFÉ E BOM DIA #44 ESPECIAL DE NATAL (por Carlos Eduardo Brizolinha)

No fronti-hospício do inferno o "Deixai toda esperança ó vós que entrais" em A Comédia de Dante, "O homem comum, que não tem qualquer domínio de seu mental, torna-se escravo de imagens e pensamentos que tomam sua mente e passam por seu cérebro como uma turba enfurecida", - Quem aqui entra, faz-me uma honra; quem não entra - um prazer".- F. Nietzsche, em A Gaia Ciência. Dinâmica de solidão sociável altamente recomendável pra quem, como eu, tem dificuldades crônicas para relacionamentos sem valor. por exemplo, a péssima inclinação de projetar na fulana da esquina modelos perfeitos de pessoa com quem seria bom estar e me livrar quiçá do fardo de, por maior que me queira para o mundo, ser sempre pequeno para mim. Quando o sonho arruína, a dor é tanto maior porque, não é o fulano da esquina que se escafedeu ou se revelou, foi meu ideal que "tragicamente" foi derrotado. Esse excesso de tragédia me irrita, por isso, creio, minha empatia com o Nietzsch...

CAFÉ E BOM DIA #40 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Houve um momento que me senti Jorge Luis Borges pela simples razão de oferecer minha opinião pelo prêmio Nobel conferido ao Bob Dylan. Tomando como ponto de partida a literatura francesa que nasce com o " Juramento de Estrasburgo " e " Cantilena de Santa Eulália ", de certa forma não oferecem muito interesse literário, mas nos dois séculos subsequentes ( XI e XII ) com as canções de gesta, retrato da civilização feudal, sim. A literatura ganha com essa forma grandiosa, e Chanson de Roland é o marco zero. Foram trovadores de profissão, retocando tradições que transmitiam o sentimento em versos cantados. Chanson de Roland tem mais de 3000 versos que narram a morte de Olivier e Roland no vale de Roncesvales. Estaria eu negando toda epopeia romanesca do século XII. O que faria com o que é designada como literatura cortesã? Pois não me levaram a sério, ainda que não haja como negar que alguns poetas tem musicalidade e que as palavras são um código que designa imagen...

MUNDINHO DENOREX (por Marcelo Rayel Correggiari)

Em meados dos anos 1980, um comercial de TV muito popular anunciava um shampoo anti-caspa que parecia remédio, mas era muito mais do que isso. Não era um simples produto, o mais da mesma coisa: esse era diferente, muito melhor. Parecia remédio, mas não era. O bordão do comercial ganhou o imaginário da população geral. O nome Denorex passou a ser utilizado para tudo aquilo que não era o que aparentava ser. “Parece... mas não é”. Se para Nietzsche havia singular diferença entre o que se dizia e a verdade atrás de tanto palavrório, façam as contas nos dias de hoje. Virou profissão. Enfim... ‘abraça’ quem quer. O discurso continua um livre pássaro a desbravar o horizonte azul. Nada mais romântico. Já a crença, ... Num momento onde retornamos à repetição da história, onde a forte impressão é a de involução, não há como deixar de lembrar de certos alfarrábios. É o caso da obra máxima de Guy Debord, “A Sociedade do Espetáculo”, datada de 1967. Ainda que não haja nada muit...

CAFÉ E BOM DIA #5 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)

Em 1983, a escritora belga Marguerite Yourcenar travou uma relação um tanto curiosa com ninguém menos que Michelangelo, grande artista do Renascimento italiano, considerado divino ainda em vida, transformado em mito no momento de sua morte, mas a quem Marguerite Yourcenar, sem dúvida, imortalizou. A escritora de língua francesa toma Michelangelo para si, e ela mesma lhe dá a voz. Ela abre mão da passividade biográfico-narrativa do escritor diante de seu objeto. Ela lhe devolve a voz através de sua própria voz; lhe devolve a vida através de sua própria vida. Ela assume a primeira pessoa e quem fala não é mais Marguerite de Crayencour – anagrama imperfeito de Yourcenar. É Michelangelo quem lhe toma a voz, ou ao contrário: ela é quem toma a voz de Michelangelo, como quem rouba uma parte vital de alguém que lhe permite o surrupio com sorriso macio no rosto. “Sistina”, capítulo de “O Tempo, esse grande escultor” é uma narrativa delicada, com tom de confissão, entoada pela voz do artist...