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Showing posts with the label OSCAR WILDE

O ROUXINOL E A ROSA (por Oscar Wilde)

– Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas – exclamou o Estudante – mas não vejo nenhuma rosa vermelha no jardim. Por entre as folhas, do seu ninho, no carvalho, o Rouxinol o ouviu e, vendo-o ficou admirao roudo... – Não há nenhuma rosa vermelha no jardim! – repetiu o Estudante, com os lindos olhos cheios de lagrimas. – Ah! Como depende a felicidade de pequeninas coisas! Já li tudo quanto os sábios escreveram. A filosofia não tem segredos para mim e, contudo, a falta de uma rosa vermelha é a desgraça da minha vida. E eis, afinal, um verdadeiro apaixonado! – disse o Rouxinol. Gorjeei-o noite após noite, sem conhecê-lo no entanto; noite após noite falei dele às estrelas, e agora o vejo... O cabelo é negro como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas o amor pôs-lhe na face a palidez do marfim e o sofrimento marcou-lhe a fronte. – Amanhã à noite o Príncipe dá um baile, murmurou o Estudante, e a minha amada se encon...

CAFÉ & BOM DIA #52 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Em O artista na prisão, Albert Camus fala sobre Oscar Wilde, argumentando que o artista não pode viver alheio a vida. Quando se trata daqueles que, devido ao nascimento ou à inclinação, conseguem apenas ter uma ideia horrível da felicidade, segundo a expressão de Saint-Just, então a dor é, para eles, uma das faces da verdade, embora seja a menos nobre; e a verdade do escravo vale mais do que a mentira do senhor. A grande alma de Wilde, elevada acima da vaidade pelo sofrimento, aspirava contudo àquela felicidade orgulhosa que lhe restava encontrar para além da infelicidade. “Depois”, dizia Wilde, “precisarei aprender a ser feliz”. Não o foi. O esforço em direção à verdade, a simples resistência a tudo que, na cadeia, arrasta o homem para baixo, bastam para exaurir a alma. Wilde não produziu mais nada depois da A balada da prisão de Reading, e conheceu sem dúvida a indizível infelicidade do artista que conhece os caminhos do gênio, mas que não tem mais forças para segui-lo. A misé...

CAFÉ E BOM DIA #48 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte. O critico é aquele que pode traduzir, de um modo diferente ou por um novo processo, a sua impressão das coisas belas. A mais elevada, como a mais baixa, das formas de critica é uma espécie de autobiografia . Os que encontram significações feias em coisas belas, são corruptos sem ser encantadores. Isto é um defeito.Os que encontram belas significações em coisas belas são cultos. Para estes há esperança. Existem os eleitos para o quais as coisas belas significam unicamente beleza. Um livro não pé, de modo algum moral ou imoral, Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo. A aversão do século XIX ao realismo é a cólera de Calibã por ver o seu rosto num espelho, A aversão ao romantismo é a cólera de Calibã por não ver o o seu próprio rosto num espelho. A vida moral de um homem faz parte do tema para um artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito. O art...

CAFÉ E BOM DIA #47 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

O primeiro livro que li em janeiro de 2016 foi Albert Camus (Mondovi, 7 de novembro de 1913 — Villeblevin, 4 de janeiro de 1960) nasceu na Argélia, foi escritor e filósofo e escreveu o Avesso e o Direito quando tinha 22 anos. O Avesso e Direito é um livro pequeno, tem só 109 páginas, contando com 20 páginas só de prefácio. Mas é lindo, incrível ver como o Camus pode ter escrito esse livro com só 22 anos. Na verdade, particularmente, acho que os jovens tem muito a dizer, só não são escutados. Esse livro contém 5 peças que para ele são 'ensaios literários', ele fala sobre a solidão, sobre a ausência de Deus, sobre o amor, sobre a morte, sobre o absurdo da condição humana, tudo de uma maneira poética, que quem já leu Camus, sabe como é. É lindo, e no mais, não custa nada, são poucas páginas. Vai aí um dos trechos que eu mais gostei: "Isso tudo não se concilia? Bela verdade. Uma mulher que se abandona para ir ao cinema, um velho que não é mais ouvido, uma morte que nada r...

CAFÉ E BOM DIA #13 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)

Experiência é o nome que todos dão aos seus próprios erros. Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada. O homem pode acreditar no impossível, mas nunca acreditará no improvável. As circunstâncias são o acoite com que a vida nos fustiga. Alguns de nós o recebem diretamente na carne, outros por cima das roupas. Esta é a única diferença. Receio que as pessoas de bem sejam a causa de infinitos males neste mundo. A pior coisa que fazem é certamente atribuir tamanha importância ao mal. Na verdade, o homem não busca nem o prazer nem a dor, mas sim apenas a vida. O homem procura viver intensamente, completamente, perfeitamente. Quando conseguir fazer isto, sem lesar a liberdade alheia e sem nunca ser lesado, quando todas as suas atividades só lhe proporcionarem satisfação, ele será mais saudável, mais normal, mais civilizado, mais si mesmo. A felicidade é a medida pela qual o homem julga a natureza e avalia até que ponto está em harmonia consigo mesmo e...