A vida às vezes é insuportável, assim como quando oferecem pela milésima vez uma sacolinha de plástico com um sorriso de código de barras. E bem depois que você viu fotos de montanhas delas, que nunca vão se degradar, pois é terrível, você vai morrer e elas vão continuar ali, coloridas, com a cor da felicidade que deram, num dia qualquer, para qualquer um. Não entendo nada da capacidade de sobrevivência da sacolinha, assim como também não entendo como tem quem consegue continuar fumando com aquelas fotos todas de gente perdendo pedaços de si própria estampadas nos maços. A velha que passou, por exemplo, devia acreditar que chegaria lá, pois veio e se foi, dando passos de tartaruga pela falta de ar, enquanto arfava como se estivesse nas pontas dos pés sobre algum abismo que não consegui vislumbrar, segurando um cigarro queimando mais vivo que ela entre os dedos. Onde achava que ia chegar? Com certeza não era no mesmo lugar que a outra, de botas, parecendo que ia montar...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO