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Showing posts with the label Plínio Marcos

UM DIA NA VIDA DE PLÍNIO MARCOS, O CRONISTA DA RESISTÊNCIA

O Circo de Pavilhão montado no bairro do Macuco, há pouco mais de um mês, estava lotado aquela noite. Até o velho Ribamar, pipoqueiro improvisado e bilheteiro oficial da casa, estava contente. É que casa cheia não era uma coisa das mais comuns naquela parte da cidade de Santos. O público, gente muito simples, passava das cem pessoas e aquele sábado movimentado prometia. Na platéia, as crianças disfarçavam a sua ansiedade comendo balas, algodão doce e pipocas. Os pais, em sua maioria “doqueiros”, domésticas e operários, mal continham sua impaciência. Na coxia, os artistas pediam passagem aos funcionários apressados. É que lá dentro, a emoção de um espetáculo para uma platéia tão numerosa também contagiava a todos. O clima era o de uma noite de estréia, uma estréia típica dos bons tempos. Assim quando o palhaço Frajola, atração principal daquele modesto Circo de Pavilhão entrou em cena, a casa quase caiu de tantas palmas, gritos e assobios. Frajola entrou como sem...

A CURIOSA RELEITURA DE NEVILLE DE ALMEIDA PARA "NAVALHA NA CARNE" (Pagu Quinta 19hs)

por Chico Marques Neville de Almeida e Plínio Marcos possuem muito em comum. Ambos são fascinados pelo submundo da alma. Ambos transitam por um universo temático onde os instintos básicos de seus personagens dão as cartas o tempo todo. E ambos apostam em obras que são sempre audaciosas em suas propostas, mas que resultam em produtos finais constantemente dominados pela auto-indulgência.  A idéia de Neville era contrapor a aridez do texto original de "Navalha na Carne", de Plinio Marcos -- que já havia sido filmado em 1969 de forma extremamente intensa e neo-realista por Braz Chediak, com Anecy Rocha, Jece Valadão e Emiliano Queiroz no elenco -- a uma espécie de musical.  Ou seja: quebrar com o tom amargo da peça original ao acrescentar externas da noite da Zona Boêmia do Rio -- entre a Praça Mauá, a Lapa, o Leme e o Lido -- em clips musicais com números de grandes artistas.  O resultado é bonito, mas não é uma unanimidade.  Há quem prefira os 27 mi...

NO ANIVERSÁRIO DE 80 ANOS DE PLÍNIO MARCOS, SEUS AMIGOS FAZEM A FESTA

COMEMORAMOS OS 80 ANOS DE PLÍNIO MARCOS RESGATANDO UMA ÓTIMA ENTREVISTA DE 1977

texto e entrevista por Walter Negrão publicado na Revista Status nº33 (1977) Quando conheci Plínio Marcos em 1967, ele ficava oito horas seguidas por dia diante de um televisor, de uma máquina de escrever e de um grande relógio, trancado num cubículo nos fundos dos corredores da TV Tupi. Anotava cada um dos comerciais levados ao ar para depois fazer o relatório. Seu maior sacrifício era justamente datilografar a identificação de um comercial nos quinze segundos que ele durava. Talvez venha daí sua aversão por máquinas de escrever. Até hoje, Plínio tem escrito toda a sua obra teatral, e mesmo os romances, a mão. Como diz ele, durante algum tempo nós nos desencontramos, nos perdemos nas quebradas do mundaréu. Quando voltei a topar com Plínio, ele já era o mais discutido, o mais polêmico autor teatral brasileiro. O próprio Nelson Rodrigues já havia parado para dizer que, se merecia um seguidor, esse seguidor certamente só poderia ser Plínio Marcos. Dono de uma obra que ...