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Showing posts with the label Umberto Eco

CAFÉ & BOM DIA #63 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Quem há de se interessar por Edmund Wilson. Li varias obras desse critico fantástico. Francis dedica um verbete preciso falando da biografia escrita por Jeffrey Meyers. Minha concordância de que é excelente Wilson fixou Hemingway como grande da literatura, foi presciente quanto a Joyce, quer no livro Ulisses como também Finnegans wake, chamou de obra em andamento. A frase " Poucos críticos de alto calibre tem coragem de enfrentar o desafio do novo " é intimidadora. Claro, Wilson é um dos gênios insubstituível. Wilson tornou Dickens obrigatório com seu ensaio sobre o autor, digo curricular, pois não há curso de letras sem um estudo aprofundado de Dickens ( Francis/meyer/Epstein). Idem para Kipling. Quanto ao livro " O castelo de Axel ", titulo subtraído de Villier D'Isle Adam, meu deu base para entender os poetas simbolistas, para Francis método. Meu primeiro livro de Wilson foi " Rumo à Estação Finlândia " cujo qual li mais de uma vez, imprescindí...

SEIS, PERO NO MUCHO (por Marcelo Rayel Correggiari)

Nesse mundo cansativo, onde tudo anda a esmo, quando não se sabe o destino certo, qualquer caminho vira caminho. Num universo esquisitaço pacas, onde a ordem é desautorizar os desafetos, desconstruí-los e desidratá-los, o destino final não se torna tão evidente assim, fazendo qualquer itinerário mais um rostinho bonito na multidão. Zero de funcionalidade, mas com a fina casca de gelo sob os pés, ficar parado pode virar um banho, no mínimo, congelante. No sentido de se evitar algum tipo de ‘bateção’-de-cabeça pelos mesmos caminhos que nos levam do nada a lugar nenhum, essa lida Mercearia tomou o corrente ano que, caindo pelas tabelas, acabou por se tornar ‘shabático’, e desavergonhadamente se perdeu em releituras. Das grandes contribuições do pensamento literário italiano contemporâneo, vamos de Ítalo Calvino: segundo o romancista e pensador nascido em 1923, curiosamente na cidade de Santiago de Las Vegas, Cuba, um clássico é um clássico porque ele nunca termi...

SEIS, PERO NO MUCHO (por Marcelo Rayel Correggiari)

Nesse mundo cansativo, onde tudo anda a esmo, quando não se sabe o destino certo, qualquer caminho vira caminho. Num universo esquisitaço pacas, onde a ordem é desautorizar os desafetos, desconstruí-los e desidratá-los, o destino final não se torna tão evidente assim, fazendo qualquer itinerário mais um rostinho bonito na multidão. Zero de funcionalidade, mas com a fina casca de gelo sob os pés, ficar parado pode virar um banho, no mínimo, congelante. No sentido de se evitar algum tipo de ‘bateção’-de-cabeça pelos mesmos caminhos que nos levam do nada a lugar nenhum, essa lida Mercearia tomou o corrente ano que, caindo pelas tabelas, acabou por se tornar ‘shabático’, e desavergonhadamente se perdeu em releituras. Das grandes contribuições do pensamento literário italiano contemporâneo, vamos de Ítalo Calvino: segundo o romancista e pensador nascido em 1923, curiosamente na cidade de Santiago de Las Vegas, Cuba, um clássico é um clássico porque ele nunca termi...

ARRIVEDERCI, ECO! (por Marcelo Rayel Correggiari)

Há dias em que a grande tarefa ao se abrir a Mercearia é tentar, de todas as maneiras, não soar enfadonho. Costumo sentenciar (quase sempre erroneamente) que a Literatura tem sua porção técnica, uma simetria que nos faria lembrar das tecnicidades da engenharia, da medicina e das ciências jurídicas. Claro que estou errado! Trata-se de uma arte que, obviamente, possui uma técnica, mas de ciência humana e não de cálculos fechados. Até podem ser aplicados aqui e acolá algum conceito ou idéia com origem na lógica, nos números, nos sistemas e equações, nos modelos encontrados em fórmulas. Contudo, caso realmente garantissem o fabuloso sucesso de uma Literatura de alto giro, suspeito que a Google hoje estaria encabeçando as listas dos mais vendidos. Não é o caso. Na última quinta-feira, o mundo deu adeus a um dos grandes da Literatura (no meu personalíssimo pavoneamento verborrágico) Universal. Águas passarão, pessoas nascerão e morrerão, mas Umberto Eco sempre, em al...

UMBERTO ECO ABUSA DA IRONIA E DO BOM HUMOR EM SEU DELICIOSO "NÚMERO ZERO"

A literatura do Século 20 tem uma peculiaridade muito interessante: muitos de seus maiores expoentes são crias de redações de jornais. É compreensível: sempre foi muito mais aventuresco para qualquer um com talento literário ganhar a vida como escriba de aluguel para um periódico qualquer do que optar pela Academia e virar professor ou mofar em algum cargo público e morrer de tédio. Até por conta disso, redações de jornais sempre fizeram parte do imaginário de muitos escritores. Que o digam Evelyn Walgh, Anthony Burguess, Graham Greene, Gore Vidal e tantos outros que produziram grandes romances sobre a Imprensa.  Umberto Eco é quase uma excessão à regra. Semiólogo eruditíssimo, atuou no jornalismo em diversos momentos de sua longa carreira, mas nunca fez arte do ambiente esfumaçado e barulhento das redações.  A afinidade maior de Eco sempre foi com a Academia, onde ele brilhou intensamente nos Anos 60 com seu ensaio clássico "A Obra Aberta" -- que foi, juntamen...