Skip to main content

Posts

Showing posts with the label Zygmunt Bauman

NOVA DETROIT (uma crônica de Marcelo Rayel Correggiari)

ilustração: Márcia Figo “(...) Com o seu humor habitual e inimitável, Woody Allen aponta as modas e manias dos “indivíduos por decreto” ao folhear os anúncios de imaginários cursos de verão do tipo que os norte-americanos adorariam frequentar. O curso de teoria econômica inclui o item “Inflação e depressão – como se vestir bem para cada ocasião”; o curso de ética envolve “O imperativo categórico – e seis maneiras de fazê-lo funcionar a seu favor”, enquanto o prospecto de astronomia informa que “o Sol, que é feito de gás, pode explodir a qualquer momento, mandando nosso planeta inteiro pelos ares; os estudantes são instruídos sobre o que o cidadão médio pode fazer em tal caso.” Em suma: o outro lado da individualização parece ser a corrosão e a lenta desintegração da cidadania. Joël Roman, co-editor de ‘Ésprit’, assinala em seu livro recente (‘La démocratie des individus’, 1998) que “a vigilância é degradada à guarda dos bens, enquanto o interesse geral não é mais que um sind...

EMPENHO - O ADEUS AO GRANDE CAPITÃO (uma crônica de Marcelo Rayel Correggiari)

O ‘merceeiro’ dessa pensativa Mercearia, em crise ou apenas observando-a, sequer teve sossego para celebrar sua data natal: na manhã do mesmo dia, desapareceu um ídolo. Ano passado, foi David Bowie. Nesse, o sociólogo e pensador polonês. Frio na Europa, pelo jeito, deve ser mortal. Zygmunt Bauman encerrou sua passagem entre nós numa segunda-feira, dia 9, aos 91 anos. Deixou vasta e referencial obra, além de uma penca de vídeos disponíveis na internet. Ou seja, não tem como não aprender com o Grande Mestre. Haverá um vácuo. Há nomes que poderiam ocupar esse espaço, como o de Terry Eagleton, por exemplo, mas serão ‘outros sabores’. Nada parecido com ele. Polonês de origem judaica, partiu para o Reino Unido em 1968, deixando uma carreira positiva para trás, em sua terra-natal. Por conta de posições diante dos conflitos árabe-israelenses que ‘fermentavam’ certa cultura antissemita na época, foi parar na Inglaterra, onde se tornou chefe do Departamento de Sociolog...

LO-FIDELITY ALLSTARS (OU UMA CAIXA DE POLARAMINE E TRÊS CONHAÇÕES NA CAVEIRA) (por Marcelo Rayel Correggiari)

“(...) As transformações das práticas de leitura, as novas modalidades de publicação, a redefinição da identidade e da propriedade das obras, ou o imperialismo linguístico estabelecido sobre a comunicação eletrônica são todos pontos da maior importância em nossa época. Há diferentes maneiras de abordá-los: a descrição das técnicas, a economia da edição, a sociologia das práticas, a análise dos processos cognitivos. Minhas próprias competências levam-me a situar os diagnósticos das transformações contemporâneas numa história de longa duração da cultura escrita. (...)” [CHARTIER, Roger. “Os desafios da escrita”. Tradução de Fúlvia M. L. Moretto. – São Paulo: Editora UNESP, 2002, p. 7-8] “(...) O tipo de “hospitalidade à crítica” característico da sociedade moderna em sua forma presente pode ser aproximada do padrão de acampamento. O lugar está aberto a quem quer que venha com o seu trailer e dinheiro suficiente para o aluguel; os hóspedes vêm e vão; nenhum deles presta muita...