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O FILME DA SEMANA É "TULLY", NOVA OUSADIA DA DUPLA JASON REITMAN E DIABLO CODY

POR RODRIGO OLIVEIRA PARA OBSERVATÓRIO DO CINEMA Desde que o caminho de Jason Reitman cruzou com a sagacidade e com o espírito sardônico de Diablo Cody, seu cinema nunca mais foi o mesmo. Dono de um histórico profissional, até então, humilde, composto por alguns curta-metragens e o notável Obrigado por Fumar (2005), o realizador pôde desfrutar de uma ascensão meteórica a partir do longa Juno (2007), filme indicado ao Oscar e responsável por marcar o início da parceria entre os dois. De lá pra cá, as obras de maior relevância narrativa da carreira do diretor tem o dedo de Cody no roteiro. Ainda que a produção Jovens Adultos (2011) tenha passado despercebida, a essência inventiva e irônica da escritora está toda ali, obtendo êxito na construção de um cinema de assinatura ao lado de Reitman. Felizmente, Tully é mais um bem-sucedido encontro da dupla, que aqui desperta de um recesso que deixou saudades. Num universo por onde pessoas comuns transitam de mãos dadas com seus ...

A VOLTA DO DESBOCADO E DESAFORADO MERCENÁRIO DEADPOOL NO FILME DA SEMANA

por Robinson Samulak Alves para CINEMA COM RAPADURA Existem duas formas básicas para contar uma piada num filme: ela pode estar inserida numa sequência ou pode ser feita uma pausa para que ela seja exposta. A primeira costuma ser mais elegante, além de mais trabalhosa e complicada. É preciso inserir um contexto e, ao mesmo tempo, não pode deixar a ação morrer. No segundo caso, a piada tende a ser mais óbvia, podendo até afetar o ritmo, mas dificilmente não será eficaz. “Deadpool 2” consegue se beneficiar de ambas possibilidades, embora opte, sempre que possível, pelo mais fácil.  A trama apresenta o anti-herói assumindo o manto de justiceiro inconsequente, cria um drama pouco convincente e acrescenta novas personagens para tentar oferecer alguma novidade, mas no final, esta sequência não se afasta muito do filme anterior. Cable (Josh Brolin, de “Vingadores: Guerra Infinita”) volta no tempo para matar Russell (Julian Dennison, de “A Incrível Aventura de Rick Baker”), um...

O FILME DA SEMANA É UMA PEQUENA OBRA-PRIMA DE PHILLIPE GARREL: À SOMBRA DE DUAS MULHERES"

por Carlos Natálio, de Lisboa, para À Sombra de Duas Mulheres. Poderoso título que Philippe Garrel chama para o seu penúltimo filme. Poderoso pois podia bem ser todo o seu cinema que se comprime ante esta premissa, ou antes, um dos seus problemas estéticos: de que é feita a sombra que emana da figura das mulheres e atinge em cheio o corpo e psique masculinas? Neste seu filme está em causa esse afrontamento, expresso no rosto inexpressivo e corpo incapaz de abraçar e mostrar amor, de Stanislas Merhar. Pierre é a figura típica do amante garreliano, num desespero surdo pós-nouvelle vague e que está sempre preso nessa sombra. Sombra que tal como com as “suas” mulheres são duas. De um lado, a companheira de há anos, com quem faz filmes e vive uma vida no limiar da pobreza, e do outro lado, a amante, jovem estagiária numa produtora de cinema, estudante de doutoramento. Mas essas mulheres são os desdobramentos do problema da sombra. É a sombra feminina como o espaço da “influência ...

O FILME DA SEMANA É A NOVA EMPREITADA DE STEVEN SPIELBERG "JOGADOR NÚMERO 1"

por Ricardo Vieira Lisboa (de Lisboa) para   Em “La Vallée Fantôme” (O Vale Fantasma, 1987), de Alain Tanner, um dos personagens, que é um realizador de cinema, diz: “O cinema é como um cancro. Não, é infeccioso, é mais como a sida.” No ensaio sobre as metáforas da sida, Susan Sontag chama a atenção desta passagem para sublinhar que aqui a comparação com o síndroma se dá pela sua “latência que permite a utilização mais específica da metáfora da sida [por comparação à do cancro].” Esta ideia do cinema como entidade que se instala secreta e progressivamente nos espectadores (espectadores cinéfilos, muito activos na suas rotinas ópticas) e dentro deles se desenvolve, ocupando-lhes tudo, é certamente um “sub-aproveitamento” dos contornos da sida, mas certamente uma metáfora bastante elucidativa da relação obsessiva com a cultura do cinema. No entanto, a imagem da cinéfilia como vírus reflecte, em boa verdade, uma relação com o cinema que não é dos espectadores c...

O FILME DA SEMANA É UM DELICIOSO THRILLER DE ESPIONAGEM COM A IGUALMENTE DELICIOSA JENNIFER LAWRENCE

por Sérgio Prior para Sétima Arte O filão dos filmes de espionagem não tem fim. Mesmo com a queda do muro de Berlim, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, com a história do mundo agonizante e em estado terminal, segundo Francis Fukuyama, as táticas operacionais da espionagem, continuam encantando as plateias de cinema do mundo. Evidente que a figura dos espiões, por exemplo 007, ainda tem lastro, pois eles representam o superpoder antes que os heróis da Marvel invadissem as telonas nas últimas décadas. E o sex-appeal e beleza de Dominika Egorova (Jennifer Lawrence), uma bailarina que devido a um acidente de trabalho é levada a um novo ofício como espiã do governo russo, adicionam o tempero perfeito para a trama que segue as regras da extinta Guerra Fria (EUA X URSS). Caso Dominika se recusasse a participar do treinamento para seu novo metiê, sua mãe, portadora de uma patologia crônica perderia todas as benesses que possuía, ou seja, ficari...