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OS VERSOS SACÂNICOS DO GRÃO-MESTRE DA PUTARIA NO RIO DE JANEIRO DO SÉCULO 19: LAURINDO RABELO

GLOSA — Meu bemzinho, que desgosto Me está causando você; Sua boquinha me dê, Para mim volte o seu rosto. — Eu consinto no seu gosto, Porem não ha de metter, E si deseja saber Si ainda tenho cabaço, Com todo o desembaraço PODE APALPAR, PODE VER. — Aqui está! Metta o dedinho Na cavidade do centro; Não me carregue p'ra dentro Que me magoa o conninho; Não 'steja tão tristezinho Por eu não me franquear; Você me quer deshonrar! Olhe, eu lhe faço um partido Si é p'ra ser meu marido, DAS COIXINHAS PODE USAR. A coisa pode encostar Por fora, não tenha susto; E, si quer prazer mais justo Pode os peitinhos chupar. Em tudo deixo pegar, Mas só faça o que eu disser, Pois si minha mãe souber Que você... Ai! Ai! Que dor!  Ai!... Dentro não, meu amor!... POR FORA, QUANTO QUIZER! — Ja vae você, minha vida, Sua coisinha mettendo... A pomba me está doendo... Eu ja me sinto ferida; Não me queira ver perdida... Va pedir-me p'ra casar... Meu Deus!...

O NOVO CARNAVAL NO BOTECO (por João Ubaldo Ribeiro)

- E aí, cara, pensei que você não vinha mais! E agora chega com essa cara de quem comeu e não gostou, é ressaca de carnaval? – Eu não estou de ressaca. Aliás, pensando bem, estou. Não tenho mais preparo físico para aguentar um carnaval. – Onde é que foi que você brincou? – Eu não brinquei, há muito tempo que não brinco carnaval. Já fui até muito chegado, mas hoje em dia não quero nem saber. Não, eu estou de ressaca é de não dormir direito, com esses blocos parecendo que estavam todos debaixo da janela do meu quarto, levei dois dias praticamente sem pregar olho. Isso é um absurdo, essa esculhambação na rua, deviam proibir esse negócio. – Ué, eu não entendo você. Alguns dias antes do carnaval, aqui mesmo, você disse que era a favor do carnaval de antigamente, o carnaval de rua, o espontâneo, o dos blocos, não sei mais o quê. – É, dou a mão à palmatória. Não sou mais. Quer dizer, continuo a achar que o carnaval de antigamente era melhor, mas isso era antigamente, não dá pa...

POEMINHA DE DOMINGO (por Ivan Junqueira)

ESSA MÚSICA Essa música que retorna como o perfume de uma rosa, essa música que se entorna de uma ânfora por cujas bordas escorre ainda o mel de outrora, essa música insidiosa numa antiquíssima harpa eólica: seria o vento em suas cordas? Seria Orfeu vindo das forjas do inferno a que baixou, apóstata, em busca da filha de Apolo, Eurídice, a esposa morta por quem até hoje ele chora? Não é nada enfim. Tudo dorme. Há, sim, alguém que à noite acorda e vê-se em ruínas, sem memória de um tempo que fugiu, mas volta nessa música que se entorna, e vai e vem, e vem e torna, nessa música que retorna como o perfume de uma rosa. Ivan Junqueira nasceu na cidade do Rio  em 3 de novembro de 1934.  Estudou Medicina e Filosofia  na Universidade do Brasil,  mas não concluiu nenhum dos dois cursos.  Como jornalista, passou por todas  as redações de jornais cariocas,  até virar diretor do Centro de Inf...