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O FILME DA SEMANA É "LADY MACBETH", UMA OBRA EXUBERANTE DE WILLIAM OLDROYD

por Carlos Natálio (de Lisboa) para   Quando vamos aí a metade de Lady Macbeth (2016) há duas coisas que não podemos ignorar. A primeira é uma certeza, ela conta ao seu amante ao que vem, qual o seu programa: deixar ir-se na folia psicótica do amor até à(s) morte(s). A partir daí o realizador William Oldroyd encena toda essa tese de que há que remover os obstáculos todos, sem suspense, sem ironia trágica a não ser a solidão de que os terríveis vencedores padecem. Mas felizmente há também uma incerteza, e essa é a segunda coisa que não se pode ignorar. Para onde irá saltar ou pousar a seguir o gato de Lady Macbeth? Em toda a sua dimensão imperscrutável, esse gato ruivo, bastante magro, traços vincados e hirta cauda é, em toda a sua animalidade, a única personagem deste jogo, o único cujos insondáveis mistérios mantém a nossa atenção, nos mantém a suspensão própria do suspense. Mas mais do que esta inversão recordo um plano em que o dito animal está pousado, salv...

PRINT SCREEN (uma crônica de Marcelo Rayel Correggiari)

Mercearia... tecnológica... Muito se fala das famigeradas ‘redes sociais’: que “... é isso...”, “... é aquilo...”. Há muita teoria para uma prática cada vez mais funesta. A começar pelo que é ‘tornado público’ (publicar!): sempre uma representação de ‘uma parte do todo’, uma ‘simplificação’ que nem sempre reflete a ‘complexidade’ inerente a qualquer ser. Há muita ‘redução’ nessas representações: a vida, mesmo, a de verdade, costuma ser bem mais acachapante do que sonharia nossa vã filosofia. Com as redes sociais, pudemos constatar uma máxima muito praticada por essa desinternetada Mercearia: que a vida de ninguém dá um livro. As histórias costumam ser as mesmas e são raríssimamente interessantes. Apesar da complexidade do desfile, nada que já não tenha sido visto antes. Eis, aí, o ‘pobrema’: se a vida de ninguém ‘dá um livro’, o que faz todo mundo pensar ‘que daria’?! As vidas privadas são razoavelmente desinteressantes como matéria-prima da Literatura: em nenhuma aula de...

O QUE VEMOS NO QUE VIAJAMOS (uma crônica de Ademir Demarchi)

Eu falava, na crônica anterior, sobre Águas de São Pedro e seus banhos de enxofre que, depois de conhecer essa cidade, li uma novela de Paulo Emílio que lá se passa. Graças à leitura, à redescoberta de um lugar através de uma dimensão imaginada, o ambiente da novela como que se moldou, de certa forma, às minhas impressões daquele balneário. A observação é interessante porque me sugere um dos dilemas típicos de Julio Cortázar, ou seja, de que os lugares se tornam mais presentes em nossa memória quando os imaginamos do que quando neles estivemos. Não chegaria a tanto, nesse caso, dizendo que esse balneário, tendo o conhecido antes, passou a existir depois da leitura da novela, porque minhas estadas naquele inferno de banhos de enxofre foram sempre mais divertidas que as impressões causadas pela novela. No entanto, com certeza, ele ganhou outra conotação, pois as impressões de leitura se mesclaram às minhas próprias impressões vividas e o prazer de transitar pelos salões do Gra...

COMEÇA O FESTIVAL LITERÁRIO QUE É MOTIVO DE ORGULHO PARA A CIDADE DE SANTOS