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EDUARDO CAVALCANTI FALA SOBRE SEXO, DROGAS E EMOÇÕES BARATAS

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

ÓCULOS (por JR Fidalgo)

Tomara que essa merda estabilize o pânico. Mas o que a porra do pânico tem a ver com isso? É o estômago que está doendo. Então eu devia estar dizendo: “Tomara que essa merda estabilize meu estômago.” E não meu pânico. Afinal, quem quer viver com seu pânico “estabilizado”? Se a porra do pânico está estabilizado, isso quer dizer que ele – o pânico – está lá, dentro de mim, dentro de você. Sempre, 24 horas por dia. Todos os dias. Por que alguém tomaria algumas cápsulas (tomei quatro, lembro agora) para “estabilizar” o pânico, em vez de tentar livrar-se dele? Mas bem que eu posso ter tomado, por engano, ansiolíticos para tentar controlar uma dor no estômago. Isso tornaria a coisa meio assustadora. Como posso estar em dúvida se tomei as quatro cápsulas para controlar a dor no estômago ou para “estabilizar” o pânico? Talvez trocar a palavra “estômago” por “pânico” seja uma daquelas coisas que as pessoas chamam de lapso freudiano. Você...

NOTÍCIAS DE UM NATAL ESQUENTADO (por Marcelo Rayel Correggiari)

— Aí, Marcelão... meu brother! Sim! Markito início de noite com seu possante carro de mate, tradicionalíssimo, na faixa de areia. A caminho da birita da sexta, no Garga, esse merceeiro. Após o expediente, tirar os sapatinhos, guardá-los na bolsa, para sentir a areia morna e a água ainda um pouco temperada. Tentando o arrastão da água-de-côco na Ponta. Doce ilusão! Mais lotado que cadeia. Aposto que nem estava tão geladinha assim. Depois da experiência Londres-Tâmisa, Belfast-Lagan, calor, muito calor, jamais foi, de fato, meu forte. Claro que tem seu lado bom, mas depois de 21 o sumiço da brisa. Nem a noite dá uma trégua. Esse merceeiro é o ‘homem-das-meia-estações’. Não tem jeito! Frio demais até dá para encarar, mas o calor em excesso deixou de ser meu amigo há muito. Em que pese a cidade ter ficado feia pacas, salvaram a praia. Jardim da orla. Centenas com máquinas fotográficas na mão a registrar o ocaso. Talvez não tivéssemos tanta generosidade com outros l...

UMA NOITE COM MOZART (por Flávio Viegas Amoreira)

Descia aquela ladeira que leva a Pinheiros  vindo da Estação Sumaré: um prédio baixo art-decô com uma rosa escandalosamente aberta e sóbria na entrada. É um canto menos glamouroso da rua da moda de São Paulo: desse traço do interior na megalópole com feira sábado de manhã e eu que amo uma feira livre para curar ressaca da noite passada com Ted Malone. Percebo que férias significavam não fazer a barba todo dia, andar com jeans surrado porque essa onda não passa e despojar-me existencialista entre cestas de caju e bananas suspensas. Voltar ao estúdio organizar os livros dormir para refazer-me e esperar Ted em nosso ambiente com motivos florais javaneses ventilador de teto e um ar de Somerset Maugham paulistano refeito até esticar na padoca no entorno da Praça Calixto no burburinho das primeiras louçarias de antiguidade repostas com sua faina do tempo   Ted era o triunfo do ´lenhador´ vintage já entrado nos cinqüenta e ampla extensão de penugem grisalha por sobre o pei...

SURUBADA JURÍDICA (por Alvaro Carvalho Jr)

“Lula confunde direito à ampla defesa, com direito à defesa ilimitado” Raquel Dodge, Procuradora Geral da União Na mosca. A procuradora geral, em seu documento pedindo a anulação da liminar que poderia soltar 170 mil marginais condenados em segunda instância, faz uma velada crítica aos órgãos representativos de advogados e afins com essa frase, mostrando que para tudo há um limite, inclusive a paciência. Não dá mais para o País continuar nesse sangramento insano provocado pelos advogados do líder messiânico, Lula da Silva. Não dá mais para se viver essa insegurança jurídica e, talvez mais importante, não dá mais para ver Ministros do Supremo Tribunal Federal atuarem como simples cabos eleitorais de uma seita política. A decisão monocrática do Ministro Marco Aurélio Melo (aliás primo do grande e conhecido marginal, Collor de Melo!), que anulava todas as prisões já feitas em segunda instância, levaria o País a um caos político e de segurança, com a soltura de 170 mil ...