Tuesday, February 14, 2017

AS "BOAZUDAS" DOS ANOS DE OURO DO CINEMA BRASILEIRO #10: ROSE DI PRIMO

por Chico Marques



Hoje, ninguém mais perde o rumo da vida quando Rose di Primo, 62 anos, passeia pelas ruas do Rio, apesar dela continuar sendo a mesma mulher alta, elegante, com cabelos castanhos e ondulados, e irremediavelmente bonita e sorridente.

Quarenta anos atrás, no entanto, o quadro era outro: o chão tremia quando ela seguia pelo Posto 6 em seu caminho quase diário até a praia -- às vezes a de Copacabana, outras vezes a de Ipanema.

Se Helô Pinheiro foi a musa icônica da bossa nova, Rose entrou em cena já se afirmando como uma versão repaginada -- bem rock and roll, bem Dunas do Barato, bem anos 70 -- do conceito clássico da Garota de Ipanema.

Bastou ganhar um daqueles concursos de beleza do programa Flávio Cavalcanti para que o Brasil inteiro ficasse de quatro e babasse diante da beleza avassaladora da moça.

Havia motivo para isso, claro.

Rose, aos 16 anos, já era manequim e modelo fotográfica, das mais requisitadas.

Quando passou a ser convidada -- com bastante frequência, diga-se de passagem -- para aparecer nas revistas da Bloch -- Manchete, Fatos e Fotos, EleEla --, os editores da casa decidiram tomar conta do marketing pessoal dela, e não sossegaram enquanto não a transformaram na Musa de Ipanema nos Verões de 1972 até 1976. 

O pontapé inicial nesse esforço foi quando Rose, em 1972, num domingo como tantos outros, atraiu centenas de olhares mezzo assombrados, mezzo encantados ao tirar sua canga e pisar na areia com uma tanga exclusivíssima e deliciosamente minúscula, que escondia muito pouco seu corpo escultural.

Claro que, juntamente com Rose, vieram também os fotógrafos da Bloch para registrar a moça desfilando pela praia antes de seu banho de sol -- e no final de semana seguinte lá estava Rose, exuberante, na capa da revista Manchete.

Foi assim que Rose se transformou rapidamente no símbolo da mulher brasileira tanto para consumo externo quanto para consumo interno no início dos Anos 70.












Não deixa de ser curioso que Rose Di Primo, a Musa Carioca Absoluta, tenha nascido no Tatuapé, em São Paulo -- sua família se mudou pro Rio quando ela era ainda bem pequenininha.

Cresceu e, aos 14 anos começou a se transformar naquele mulherão com corpo escultural, causou furor na escola onde estudava, e rapidamente foi descoberta por um olheiro que a convidou para trabalhar como manequim e modelo.

É sempre bom frisar que naquela época as modelos no Brasil não tinham agências: eram descobertas por olheiros e se escolavam na profissão em batismos de fogo, seguindo direto para as passarelas e para os estúdios de fotos, e seja o que Deus quiser -- e Deus, dizem, não só era bom de casting como sabia escolher melhor do que ninguém tanto os meninos quanto as meninas mais exuberantes.

Rose protagonizou uma infinidade de capas de revistas, virou garota propaganda de dezenas de marcas de produtos e, mesmo não sendo exatamente uma atriz, participou de algumas pornochanchadas na primeira metade dos Anos 70.

Foram poucas, mas todas marcantes:

OS MACHÕES (1972, dir: Reginaldo Farias)
EU TRANSO, ELA TRANSA (1972, dir: Pedro Camargo)
UM VIRGEM NA PRAÇA (1973, dir: Roberto Machado)
BANANA MECÂNICA (1974, dir: Braz Chediak)
O PADRE QUE QUERIA PECAR (1975, dir: Lenine Otoni)   















De 1976 em diante, começaram a surgir novas Musas das Praias Cariocas -- como Monique Evans, Márcia Porto, Luiza Brunet e Xuxa -- e o reinado absoluto de Rose pouco a pouco foi chegando ao fim.

Mesmo assim, ela continuou circulando triunfante pelo jet-set carioca, e tendo romances com figuras emblemáticas, como o também modelo e bon-vivant profissional Pedrinho Aguinaga.

Mas seu ocaso profissional começou a ficar mais acentuado quando sua imagem pessoal ficou vinculada à do ex-comandante do Esquadrão da Morte Mariel Mariscot, com quem teve um longo romance, e que morreu em circunstâncias trágicas.

Romances malogrados e crises sucessivas depressão acabaram levando Rose a deixar a carreira de modelo e passar a trabalhar com moda e decoração de interiores ao longo dos anos 80 e 90.

Escreveu sua autobiografia "Do Brilho À Luz" dez anos atrás, onde conta sua história de vida -- mas o que dá o tom ao texto do livro é a sua conversão à Igreja Presbiteriana, o que torna o livro pouco interessante a velhos fãs que não tenham muito saco para blah blah blah religioso.

Hoje, Rose está casada com um homem vinte anos mais jovem que ela, e vive em Madri, Espanha, onde trabalha como decoradora.

Quem a viu recentemente afirma que continua uma mulher bela e exuberante, mas sem o sorriso avassalador de quando era jovem, com uma vida inteira pela frente, e com súditos babões por todos os cantos do Brasil dispostos a beijar o chão por onde ela passava. 








ROSE FALA:

"Durante muito tempo, escreveram absurdos a meu respeito; tem gente que acha que eu morri, que estou largada. Isso me motivou a contar minha história em uma autobiografia"

"Quando apareci na praia usando tanga, foi um escândalo, muita gente saiu de perto de mim, assustada"

"Minha carreira como modelodeslanchou de vez quando tinha 16 anos e venci um concurso de beleza promovido pelo Flávio Cavalcanti na TV Tupi. A partir daí, todos os jornais e revistas queriam fazer reportagens sobre mim"

"Confesso que fiquei assustada com o tamanho da minha popularidade quando, aos 18 anos, foi capa da revista "Manchete" sentada numa moto apenas com um diminuto biquíni branco"

"Um executivo da revista Manchete pediu para eu fazer uma dedicatória ousada para o então Ministro Delfim Neto, que se dizia meu fã, mas recusei e apenas escrevi que admirava seu trabalho"








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A BANANA MECÂNICA,
COMÉDIA COM CARLOS IMPERIAL
DIRIGIDA POR BRAZ CHEDIAK
QUE FOI UM GRANDE SUCESSO
NOS CINEMAS BRASILEIROS EM 1974,
GRAÇAS A ROSE DI PRIMO E KATE LYRA
QUE ENCABEÇAVAM O ELENCO DO FILME
E ARRASTAVAM MULTIDÕES DE MARMANJOS
ÀS SALAS DE CINEMA

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