Friday, March 4, 2016

CAFÉ E BOM DIA #15

por Carlos Eduardo Brizolinha


Zelda Fitzgerald nunca foi sucesso por aqui.

Creio que poucos tenham tomado contato com sua obra.

Contudo, "Save Me The Waltz", seu único romance, merece olhares atentos.

Vale, em parte, porque qualquer coisa que ajude a elucidar a carreira de F. Scott Fitzgerald merece atenção.

Comove, tem linhas próprias, e contrasta com a visão de Scott em "Suave É A Noite".

No ano retrasado me caiu nas mãos o livro de Gilles Leroy, "Alabama Song", Premio Goncourt 2007, numa edição portuguesa da Esfera do Caos.

Zelda conheceu Scott no Alabama, e sobre isso Leroy construiu um romance -- e faz questão de classificá-lo como romance, não como biografia.

Faz bem que seja assim.

O caminho tomado por ele é baseado nas constantes dúvidas interiores de Zelda -- e não por acaso veremos que a protagonista acaba os seus dias em instituições psiquiátricas, tentando dar um rumo à sua vida, e sentindo-se incompreendida.

Quando Zelda e Scott casaram, eram um casal feliz.

Mas graças ao sucesso dele como escritor, enbarcaram numa vida de muitas loucuras na alta sociedade nova-iorquina.

Vida essa que não souberam enfrentar, na medida em que não passavam de dois jovens deslumbrados e imaturos.

Pior: constantemente embriagados.

Do topo à decadência foi um pequeno passo, uma grande queda -- mais dolorosa para Zelda que para Scott.

Zelda viu-se impossibilitada de seguir uma carreira artística por si própria, mesmo tendo tentado sucessivamente a dança, a escrita e a pintura.

Aos poucos, o leitor, alimentado por Gilles Leroy, vai se dando conta do que Zelda foi deixando para trás.

Me impressionou a habilidade do autor em conduzir esse seu romance disfarçado de biografia.

Depois de lê-lo, ficaram claros para mim os caminhos e descaminhos que esse casal trilhou.

"Alabama Song" foi editado aqui no Brasil pela Editora Record.

Já "Esta Valsa É Minha", de Zelda Fitzgerald foi editado no Brasil através da Companhia das Letras, e possui um belo prefácio de Caio Fernando Abreu.


Urbanóides transitam imaginando cores no horizonte curto da cidade moderna.

Humanóides despejam imagens de céu carregado, como nuvens plúmbeas e estáticas no cativeiro regado de buzinas.

Semi hominais carrancudos são fustigados pela arte rebelde e anonima.

Arte que quebra as regras da limpeza escravizante e transforma a miséria dominante em sorriso libertador.

CRIA CRIATURA

CRIA EM TODOS OS MUROS

CRIEM TODOS EM TODOS OS MUROS, PAREDES, PORTAS E JANELAS

LIBERTEM O HORIZONTE COM MÃOS OCULTAS, DELICADAS E ASSINEM O CAMINHO DE UMA NOVA ESTRADA.

Café e Bom Dia para todos.



Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta
é poeta e proprietário
da banca de livros usados
mais charmosa da cidade de Santos,
situada na Rua Bahia sem número,
quase esquina com Mal. Deodoro,
ao lado do EMPÓRIO SAÚDE HOMEOFÓRMULA,
onde bebe vários cafés orgânicos por dia,
e da loja de equipamentos de áudio ORLANDO,
do amigo Orlando Valência.


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