Thursday, March 1, 2018

O MINISTÉRIO DA SAÚDE ALERTA: SAUDADE MATA! (por Marcelo Rayel Correggiari)



O Ministério da Saúde e essa capengante Mercearia avisam: saudade mata.

Falta de coragem, também.

Na última segunda, esse combalido merceeiro fazia seu costumeiro itinerário entre um serviço e outro quando se deparou com uma manifestação inusitada, tocante... quem sabe, apaixonada.

Momento difícil, esse, de um processo que apenas começou. Após testemunhar ao longe, pela quarta vez, alvo coche de grande memória e infinita saudade em seu enfrentamento do pesado trânsito das 19:30h, deparar-se com declarações de amor ‘na pele da cidade’ era, no mínimo, a garantia de que essa semana prometia.

Colocar uma Mercearia em reforma, às vezes, soa como ato de bravura. Em algum ponto, não se pode mais continuar com as antigas instalações. Diríamos que as ocorrências desses desconfortos são naturais dentro de um processo de ‘significant makeover’.

De qualquer forma, é um processo delicado: bateu saudade... muita saudade.

Enfim... um dia de cada vez.

Parafraseando Oscar Wilde (16 de outubro de 1854, em Westland Row, Dublin, República da Irlanda – 30 de novembro de 1900, Paris, França), pouca coragem é uma coisa perigosa. Se em excesso pode ser fatal, o encontro com a sagacidade de alguém capaz de executar certa intrepidez pelo ‘caminho do meio’, do ‘equilíbrio’, será sempre um momento de enorme deleite.

Num curto itinerário em ‘zig-zag’ pela Comendador Martins, a partir da Guedes Coelho, Dr. Olyntho Rodrigues Dantas e virando à direita na Júlio Conceição até Carvalho de Mendonça, um grafite no chão e calçadas do caminho dizendo ‘alto & claro’: “Eu te amo!”.

“Você sabe!”.

Esse quase distraído merceeiro havia percebido as declarações durante semanas, mas somente as do trecho da Júlio Conceição. Na segunda, talvez pelo impacto do prévio testemunho e do consequente sentimento de saudade, reparei que as declarações vinham desde a Guedes Coelho.

Elas se distribuem numa espécie de itinerário, um caminho que, pelo jeito, é feito pelo(a) tal de ‘Sak’. Por onde ele(a) eventualmente passa, é “Eu te amo” para tudo quanto é lado.

Nem sempre as declarações de amor são bem-vindas: tudo, às vezes, depende do estado-de-espírito (ou momentâneas faculdades mentais) de quem as recebe. Aquele lance: a fase do(a) destinatário(a) é a das piores, um monte de coisas a serem transformadas (para melhor!), nem sempre a semente cai em boa terra.

Declarações de amor são sempre um gesto de enorme risco: nem sempre o que se sente por alguém possui plena correspondência. Contudo, como consta na capa de “Desaforismos & Tramas de Metrô” , de autoria do titular da coluna “Crônicas de um Iconoclasta”, igualmente publicada hoje nessa renomada revista eletrônica, “... Amar é um risco bom”: nada pode dar tamanho elã à existência do que um sentimento de amor que possa ter por alguém.

Quando há correspondência, leveza. Quando não, paciência.

Acontece em quase 95% dos casos...

Declarações de amor não são gestos extremos: em algum ponto, a pessoa amada precisa saber o que se passa no coração de alguém que quase perde o ar ao vê-la. Longe de extremismos, são gestos de profuso afeto: o intuito de uma declaração dessa natureza é evitar entendimentos equivocados de que tal nobre sentimento é ‘terra-de-ninguém’. Ao contrário: há de se ter enorme cuidado e carinho para uma análise profunda e completa de como lidar com espinhosas situações nos casos de ‘não-correspondência’.

Isso, claro, quando a pessoa amada não se apercebe (ou não consegue se aperceber, por inúmeros motivos) do tipo de sentimento capaz de deflagrar. Pelo que parece, deve ser o caso de Sak.

Nesses casos, vale a máxima da música “Eu Preciso Dizer que te Amo”: “(...) te ganhar ou perder sem engano (...)”. Num primeiro instante, parece ‘pé-na-cara’... #sqn: a pessoa amada, no caso de não-correspondência, precisa saber lidar melhor com o cenário e certas si-tuações advindas dessa ‘nova ordem’ que envolve o nobre sentimento de alguém.

Quem sabe, sob uma reflexão mais calma e sensata sobre tal ocorrência, não considerar, pelo menos, a hipótese de ‘uma chance’.

Vai que...

Para isso, ‘colhões’ & ‘ovários’ para gestos afetuosos, mas não ‘extremos’, de declarações de amor como os encontrados na Encruzilhada.

Como no clássico trecho de “Grande Sertão: Veredas”: “(...) O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem (...)”.

Não sabemos quem é Sak, ou por qual motivo (se é que há um!) desperta tanta paixão. Pensamos que ele(a) “sabe!”. Resignamo-nos a essa corrosível curiosidade.

Com as citadas ocorrências de um lacônico início de noite de uma segunda-feira, restou a esse merceeiro apenas o início de uma semana recheada de saudade.

Sim! Muita saudade.



Marcelo Rayel Correggiari
nasceu em Santos há 48 anos
e vive na mítica Vila Belmiro.
Formado em Letras,
leciona Inglês para sobreviver,


mas vive mesmo é de escrever e traduzir.
É avesso a hermetismos
e herméticos em geral,
e escreve semanalmente em
LEVA UM CASAQUINHO


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