Tuesday, July 28, 2015

O GENIAL JULES FEIFFER SE REINVENTA COMO GRAPHIC-NOVELIST EM "MATE MINHA MÃE"



Se tem alguém que já fez de tudo na vida, esse alguém é Jules Feiffer. 

Aos 86 anos de idade, Jules publicou 35 livros, entre romances e coletâneas de quadrinhos, escreveu peças para teatro, roteiros para cinema, e cinco anos atrás publicou suas memórias com o título genial "Backing Into Forward" pela Editora Alfred A Knopf. 

Ganhou todos os prêmios que se possa imaginar nas categorias Comics, além de dois Pullitzers e um Oscar por sua magnífica animação adulta "Munro", de 1961 (veja abaixo na íntegra). 


Começou nos quadrinhos aos 16 anos, como assistente de seu herói Will Eisner, que logo percebeu seu talento e começou a abrir espaço maior para ele em suas tiras com o Spirit e outros personagens.

Mas foi a partir dos Anos 50 que Jules entrou no mapa dos quadrinhos para valer, com uma tira no semanário The Village Voice chamada "Sick Sick Sick" -- que depois virou simplesmente "Feiffer" --, onde em que reinventou o conceito dos quadrinhos de jornais, inserindo comentários sociais e comportamentais ferinos que marcaram época, e que permaneceu ativa por nada menos que 40 anos. 


Paralelo a isso, Jules Feiffer tem trabalhado como professor residente em cursos de Humor Gráfico em várias Universidades de prestígio, como Columbia e Yale. e hoje leciona na Stony Brook Southampton, a poucos quarteirões de sua casa de praia.

E mesmo com um pedigrée riquíssimo como este, ele Feiffer não cansa de se reinventar: 

Estreou ano passado como autor e desenhista de graphic novels, uma adulta e outra juvenil.


A adulta é "Kill My Mother", que acaba de ser traduzida e editada aqui pela Cia das Letras.

É uma aventura noir sensacional, que conta a história de cinco mulheres formidáveis ligadas fatalmente por um detetive decadente e beberrão. Tudo começa com a relação turbulenta entre a adolescente Annie Hannigan e sua mãe Elsie. em plena Recessão da década de 1930. Filha de um policial que foi baleado e morto, Annie sente-se negligenciada por sua mãe, Elsie, que teve que sair para trabalhar, para poder sustentá-la. Annie não se conforma dela ter ido trabalhar justamente com o melhor amigo de seu pai, um ex-policial que se deu bem como detetive particular. Então, Elsie se envolve com um cliente misterioso e embarca numa aventura rocambolesca repleta de mistérios que vai passear pelo mundo, contracenar com os personagens mais improváveis, e só encontrar um paradeiro final depois da Segunda Guerra Mundial.

Por mais tentador que seja, não faz sentido contar aqui mais detalhes da trama de "Mate Minha Mãe". Ela é de um primor noir digno dos grandes filmes do gênero. De certa forma, é um retorno de Jules Feiffer a suas origens ao lado de Will Eisner nas tiras e revistas do Spirit.


Mas "Mate Minha Mãe" vai muito além do "retorno às origens", pois só um autor extremamente maduro ecom grande experiência em "storytelling" como Feiffer seria capaz de desenvolver uma graphic novel rejeitando a maioria dos cacoetes inerentes ao gênero, e, ao mesmo tempo, otimizando todas as características principais desse gênero literário híbrido.

Trocado em miúdos: misture Will Eisner com Dashiel Hammett (que também escrevia para quadrinhos), acrescente umas pitadas do desencanto de Raymond Chandler e do fatalismo de James C Cain, e pronto: chagamos a "Mate Minha Mãe". 

E se por um acaso você, leitor de CANTO DE PÁGINA, achar minha opinião entusiasmada demais e empírica de menos, recomendo as palavras deste insuspeito amigo e companheiro de geração de Jules Feiffer, do alto de seus 93 anos de idade:

“O multitalentoso Jules Feiffer agora usa seu talento extraordinário em uma graphic novel. Ninguém escreve como Jules! Ninguém desenha como Jules! Ninguém em sã consciência deve perder este marco monumental desta carreira incrível.” - Stan Lee
MATE MINHA MÃE
KILL MY MOTHER
(Cia das Letras 2015)
Tradução: Érico Assis
160 Páginas
Brochura
R$ 54,90




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