Wednesday, October 21, 2015

"A MEGERA DOMADA", DE FRANCO ZEFIRELLI, CARTAZ DE HOJE NO CiNECLUBE PAGU (19hs)

por Chico Marques


Das comédias de William Shakespeare, "A Megera Domada (The Taming Of The Shrew)" é sem dúvida a que lida com a questão matromonial de forma mais intensa, até porque na maioria de suas peças cômicas o casamento vem apenas com o desfecho da trama, e aqui não, pelo contrário. 

Eu, pessoalmente, tenho certeza de que o termo Guerra Conjugal foi cunhado por alguém recém-saído de uma performance teatral de "A Megera Domada".

Um pai tem duas filhas. Bianca, a mais nova, é alvo constante de propostas de casamento. Já Catarina, a mais velha, é sistematicamente recusada por pretendentes, devido a sua personalidade instável e seu temperamento difícil. O pai, Batista, por sua vez, não permite que Bianca case antes que Catarina suba ao altar. Entra em cena Petrucchio, o filho de um nobre empobrecido em busca de um casamento que traga de volta a bonança financeira à sua família. 

E então, deste ponto em diante, os diversos candidatos à mão da irmã mais nova articulam uma cupidagem entre o interesseiro Petrucchio e a "megera" Catarina, na esperança que ela desencalhe e abra caminho para eles, que disputam sua irmã mais nova. 

E então o casamento acontece. 

E começa o Inferno. 

Petrucchio aposta com outros dois maridos que é capaz de fazer com que sua irrascível Catarina se transforme aos poucos em uma mulher absolutamente submissa. A aposta é fechada, dando início a uma comédia de erros deliciosa, certamente uma das melhores escritas por William Shakespeare.


O humor em Shakespeare obedece sempre a um princípio de verossimilhança. 

Por mais absurda que seja a situação, a platéia a acolhe bem, pois sabe que a natureza humana funciona assim mesmo. 

Shakespeare, que é mais saudado por suas tragédias do que por suas comédias, nunca coloca o humor como o enfoque principal em suas tramas mais leves, mas como um elemento incidental. 

E, com isso, consegue que suas comédias não sejam regidas por características regionais, e funcionem bem nas mais diversas culturas. 

Além do mais, é sempre bom ressaltar que o humor nas comédias de Shakespeare é sempre pontual, entrando em cena sempre que a trama começa a ficar mais séria, para lembrar a todos que estão diante de uma comédia, não de um drama leve.


Graças a seu tema tão universal, "A Megera Domada" é constantemente adaptada para os mais diversos formatos. 

Já virou musical da Broadway em "Kiss Me Kate" (1948). 

Já virou novela na TV brasileira em "A Indomável" (1965, TV Excelsior), "O Machão" (1976, TV Tupi) e "O Cravo e a Rosa (2000, TV Globo). 

No cinema, teve várias versões, sendo que a melhor delas é uma adaptação para os dias atuais intitulada "Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você (Ten Things I Hate About You)", de 1999, com Julia Stiles, Larisa Oleynik e o fantástico Joseph Gordon-Levitt -- que, por sua vez, acabou servindo de base para uma sitcom de mesmo nome que a ABC-TV levou ao ar em 2009 ao longo de duas temporadas.


A versão de Franco Zefirelli de 1967 segue os padrões da peça clássica e funciona bem, graças ao talento inegável do diretor -- que é, antes de mais nada, um excelente diretor de atores e um cenógrafo de mão cheia -- e ao magnetismo do casal central de atores Liz Taylor e Richard Burton. 

Existe, obviamente, um miscast espetacular nesta versão. 

Liz não conseguia disfarçar os 35 anos de idade que tinha quando rodou o filme. 

O caso de Burton é ainda mais grave, pois ele tinha 42 anos de idade em 1967, e aparentava ter mais do que isso. 

Nos palcos, isso não chegaria a ser um problema. 

Mas, num filme, com certeza é.


"A Megera Domada", de Franco Zefirelli, está longe de ser um filme brilhante.

E com certeza não está entre as melhores adaptações de uma comédia de Shakespeare para o cinema -- Ingmar Bergman segue imbatível com seus "Sorrisos de Uma Note de Verão" (1955), seguida de perto por "Much Ado About Nothing" (1993) de Kenneth Branagh e por "Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão" (1982), uma comédia menos conhecida de Woody Allen.     

Mas é um filme extremamente agradável.

Que, curiosamente, parece hoje, em 2015, muito melhor do aparentava ser no final dos turbulentos anos 1960.



A MEGERA DOMADA
(The Taming Of The Shrew, 1967, 122 minutos)

Direção
Franco Zefirelli

Roteiro
Suso Ceschi D'Amico
Paul Dehn
Franco Zefirelli

Música
Nino Rota

Elenco
Elizabeth Taylor
Richard Burton
Cyrill Cusack
Michael Hordenn
Michael York
Alfred Lynch
Alan Webb
Giancarlo Cobelli
Natasha Pyne




Quarta - 21 de Outubro - 19 horas
OFICINA CULTURAL PAGU
Rua Espírito Santo, 17 
quase esquina com Av. Ana Costa
Campo Grande, Santos SP
Telefone: (13) 3219-2036

Ao final da exibição,
 um breve debate com os curadores
 do Cineclube Pagu:
 Carlos Cirne e Marcelo Pestana




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