Friday, October 30, 2015

CAFÉ E BOM DIA #1 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)





O amor é um sentimento verborrágico: amantes se desmancham em juras infinitas, elogios desmesurados e declarações repetidas. 

Histórias de amor são talvez as mais frequentes e mais permanentes da história da literatura. 

O amor se expressa em fórmulas; “eu te amo” é um arranjo que não admite variações. 

Seria possível, então, mapear a expressão do amor ao longo do tempo? 

O que isso nos diria sobre o amor em si?

Em "Fragmentos de um Discurso Amoroso", Barthes não assume como tarefa analisar o amor, mas a forma como ele se expressa e a cristalização do discurso a respeito dele. 

Desde Shakespeare até Proust, o autor identifica os diversos clichês pelos quais os amantes se expressam tomando exemplos de clássicos da literatura e da filosofia.

O que esse mapeamento diz sobre o amor, o discurso ou nossa relação com a linguagem? 

Se existimos e, principalmente, nos relacionamos através da linguagem, o que as formas escolhidas para comunicar dizem a respeito daquilo que se sente? 

Barthes não se propõe a analisar o íntimo dos seres humanos, mas, ao destrinchar a forma como ele se expressa, chega a um ponto incômodo: qual a relação, como se reflete, aquilo que se sente naquilo que se diz?

Uma das primeiras conclusões a que Barthes chega é que o apaixonado não está apaixonado realmente pelo “ser amado”, mas pelo amor em si. 

Werther, o estereótipo do apaixonado por excelência, apenas anexa a primeira mulher que parece adequada aos sentimentos que já possuía, independentes de um objeto. 

Nada no discurso dos amantes adapta-se de acordo com o amado e aquilo nele que parece despertar o sentimento é sempre igual: todas as amadas são, por exemplo, adoráveis. 


Pushkim nasceu em 1799 e Victor Hugo em 1803, Pushkim morrreu em 1837 e Victor Hugo em 1885. 

O autor francês publicou em 1823, 1830 e 1831 (tempo em que os dois estavam vivos). 

Como o primeiro livro de Pushkim é de 1820, "Ode à Liberdade", e o primeiro de Victor Hugo de 1823, "Han D' Islande", é plenamente possível terem tomado contato com a literatura um do outro.

Pushkim morreu aos 37 anos e Victor Hugo desfrutava dos seus 34 anos na ocasião, sendo que os dois refletiram o clima político de seu tempo. 

Hugo tem a obra poética reverenciada na França, fora da França é mais conhecido por seus romances "O Corcunda de Notre Dame" e "Os Miseráveis". 

Foi um autor muito produtivo. 

Escrevendo para teatro gravou seu nome em "Hernani", marco histórico do Théatre Français.

Ambos defenderam ideais românticos. 

A fundamentação teórica do romantismo na literatura surgiu na Alemanha, através de Hegel, Schelling e Fichte, filósofos do idealismo clássico. 

Tomo esses dias para gastar natureza, sentimento, desabafo que são alguns elementos do Romantismo, e é no clima que tomo meu Café, sem jamais esquecer de desejar Bom Dia.

Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta
 é poeta e proprietário
 da banca de livros usados
 mais charmosa da cidade de Santos
situada à Rua Bahia sem número,
quase esquina com Mal. Deodoro,
ao lado do Empório Saúde Homeofórmula
(onde bebe seu cafezinho orgânico)
e da loja de Equipamentos de Áudio
do bom amigo Orlando Valência. 



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