Thursday, June 23, 2016

OI? (por Marcelo Rayel Correggiari)



Uma das vantagens de se ter uma Mercearia é a possibilidade de se entregar, desavergonhadamente, a um ócio que permitiria ‘dar orelhadas’ em assuntos distantes de uma simples troca mediante pecúnia.

Afinal, “Tupiniquim: o Paraíso das Commodities” é um lugar pródigo para certas manchetes, no mínimo, surpreendentes, como: “Goleiro Bruno se casa com uma dentista” (leia-se: ‘a obturação na cadeia deve ser de baixíssima qualidade’).

Terça de manhã, Eduardo Cunha explica ‘batom-na-cueca’. No Reino Unido, ficar ou não na UE pode custar a vida de um(a) parlamentar (... se a moda pega, ....).



O grande cronista e escritor Sérgio Marcus Rangel Porto (Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1923 — Rio de Janeiro, 30 de setembro de 1968), popularmente conhecido como Stanislaw Ponte Preta, fundou o FEBEAPÁ, Festival de Besteiras que Assolam o País. Como bom capricorniano, deveria sentir fortíssimas urticárias diante das manchetes e notícias publicadas em jornais e revistas.

Stanislaw Ponte Preta foi um dos vários brasileiros, como o gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé (Rio Grande, 29 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1971), que percebeu uma certa distância entre o ‘ser brasileiro’ e o amparo de alguma ‘noção cognitiva’.

Sobrou para o José Simão seu mais célebre enunciado: “O Brasil é o país da piada pronta”.

Em homenagem a Sérgio Porto, essa descarada Mercearia decidiu parafrasear seu FEBEAPÁ e funda o seu próprio festival, o FENAIDEJ: Festival Nacional das Ideias de Jerico (que também possui sua versão ultramarina, o FEINIDEJ, o Festival Internacional das Ideias de Jerico).

Há certos momentos na vida em que as escolhas são tremendamente difíceis: ou partimos para algum tipo de deboche, ou ‘piramos o cabeção’ loucamente...

Pois, vejamos...

Depois do Sr. Adriano Ferreira ter pulverizado da face da Terra, em questão de horas, a Sadia, numa operação financeira com ‘hedge’ de moeda ‘2 por 1’, o FENAIDEJ tem em a honra de inaugurar seu rol de bestialidades com mais uma vinda do ‘mundo das mergings’, das aquisições.

#chuparevistaexame.



A operadora de telefonia móvel (e/ou celular), a Oi, pediu penico. Segundo dados técnicos, o pedido de ‘help’ tem por objetivo manter intacto o caixa da empresa e, consequentemente, não deve alterar a qualidade dos serviços prestados a seus clientes.

Quem diria...! A Oi era uma operadora ‘de conceito’. Na época em que essa Mercearia tinha as portas abertas nas ‘Alterosas’, a empresa mantinha canais de rádio online, mas com sinal de radiodifusão aberto na capital mineira, que eram uma belezura! Ô, coisa boa que era aquela rádio...!

Coisa fina! Só musicão de primeira e uns programas ‘da hora’ com comunicadores de todos os lugares do Brasil: Rio, São Paulo, Recife, Brasília. O de Belo Horizonte recebia o nome do Nômade, e era comandado por, nada mais, nada menos, um dos ‘donos da noite’ belorizontina, um hispano-francês que por si só já era um evento: o retumbante Paco Pigalle.

“Oui, oui, oui...”! Quem ouvisse aquele programa, dava volta ao mundo.

O estúdio da rádio ficava numa espécie de belvedere no Pátio Savassi: um tesão! Programas sobre arte, cultura, comportamento... chegava a ser tão bom quanto sexo.

Deixem estar que os comerciais de TV da operadora rarearam (para não dizer que sumiram de vez). “Humm... mau sinal!”.

Nessa semana, a notícia derradeira: pires na mão por um ‘cheque especial’ de R$ 56 bilhões (dados iniciais). As ações da operadora caíram tanto na última terça-feira (em torno de 30%) que a iBovespa teve de suspender o seu pregão por algumas horas.



Em 1998, a operadora abriu a Telemar, com vistas a abocanhar alguma telefonia fixa na magnânima intenção de ‘se dar bem’ na privatização das teles. Ficou com a parte grande: estados do sudeste (exceto São Paulo), Tocantins, Acre, Roraima e os estados do nordeste.

Dos estados do sudeste, a Telerj. A Telerj, feudo de quêm?! Quem?! Quem...?! Do ‘batom na cueca’ Eduardo Cunha. Uma das várias ‘capitanias hereditárias’ dele. ‘Balcão de negócios’, ‘moeda de troca’, fisiologismo rasteiro, clientelismo turbinado. Tudo o que uma ‘visão-de-negócio’, estratégica e excelentemente elaborada, precisa?

‘Id est’: o MBA dessa turma foi por correio?! Instituto Universal?!

A pergunta: como é que se joga zilhões de investimento numa estrutura falida e que tinha como seu ‘mentor intelectual’ alguém mais sujo do que pau-de-galinheiro? Aceitamos desenhos.

É de fazer Adriano Ferreira brincar no jardim-da-infância.



Em “Tupiniquim: o Paraíso das Commodities”, privatização é ‘caozada’: abraça quem quer. O duro é, quando o ‘trem’ dá errado, a conta sempre vir para a nossa mesa.

MBA em Chicago, ‘no problem’, desde que os portadores do certificado entendam o que é “Tupiniquim: ...” e entendam (de uma vez por todas!) o que dizia o “grão-mestre” Milton Friedman: além de não existir ‘almoço grátis’, não se é possível espetacular qualidade na gestão da coisa pública posto que a vascularização da bagaceira transgênica não é feita por recursos próprios, mas por intermédio de coisa arrecadada.

Em outras palavras: segundo Friedman, o ser humano tende a gastar muito mal um dinheiro que não veio do suor de seu rosto. Percebem?!

Administrações públicas têm seu níquel tilintando na conta bancária todo santo mês: sem grandes esforços. Os trouxas aqui pagam impostos! Sempre tem ‘din-din’ ‘pra’ lambança e esparrela.

Além dessa tradição nacional de colocar Herodes na gerência da creche...

Ao invés das próprias empresas tirarem do seu para uma c-o-n-s-t-r-u-ç-ã-o de uma estrutura nova em folha e que tivesse a cara delas, resolveu ‘adquirir’ massa podre, falida e viciada. Daria certo?!

Nas ‘teles’ de menor porte, deu. Porque a área de observação era reduzida e a constatação de vícios mais clara: era possível desarmar a bomba de uma filosofia administrativa de antanho cujo protagonismo de arrecadação nunca fôra de própria lavra.

E o mais surpreendente disso tudo: como pôde a ‘iniciativa privada’ manter os vícios de gerenciamento e gestão de uma ‘antiga’ administração pública através de decisões corporativas atrapalhadas, guerra fratricida por controle acionário e conselhos administrativos que dizem amém a qualquer coisa que se mexa.

Como dizia a marchinha do nosso sempre, sempre Juca Chavez: “(...) por isso é que o Brasil não vai ‘pra’ frente/cortaram o pau do índio ‘pra’ fazer cachorro-quente (...)”.

Então, ‘tá’...

Parabéns a Oi. Se vasculhar um pouquinho mais, entra no FENAIDEJ brincando...!

E avisamos o(a) querido(a) freguês(a) que não há com o que se preocupar: essa Mercearia continuará com modelos de gestão do tempo do onça, carcomidos e desprezíveis, mas AAA nas principais agências de classificação de risco.




Marcelo Rayel Correggiari
nasceu em Santos há 47 anos
e vive na mítica Vila Belmiro.
Formado em Letras,
leciona Inglês para sobreviver,
mas vive mesmo é de escrever e traduzir.
É avesso a hermetismos
e herméticos em geral,
e escreve semanalmente em
LEVA UM CASAQUINHO


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