Skip to main content

ESCRITOR NÃO PEDE DESCULPAS

por Flávio Colker


Escritor não pede desculpas por seu texto. Artista não pede desculpas por suas telas. Humorista não pede desculpa por piada. Cientista não pede desculpa por descobrir a velocidade da luz. Pensadores não pedem desculpas a turba de linchamento e a seus Cappos, sargentos, carcereiros.

Quem pede desculpas por ter pensado não deveria pensar alto.

Quando se trata do trabalho intelectual, da coragem de chegar as próprias conclusões, não existem diferenças entre homens e mulheres; entre cristãos, judeus ou muçulmanos; entre progressistas ou conservadores. Quando se trata de pensar em voz alta, existem pensadores e criadores.. apenas seres humanos. Para ser humano … tem que aguentar o tranco.

Ninguém tem mais razão por ser mulher, por ser homem, por ser negro, por ser homossexual, por ser judeu ou palestino, trabalhador ou patrão, senhor ou escravo… Tem razão quem pensa o melhor para todos e para cada um de todos nós; isso significa que há mais de uma boa razão. Significa que há razões conflitantes. A grande conquista da cultura é a liberdade para que todas as razões se expressem em sua riqueza e complexidade. Quem exige suprimir o relato de experiência vivida em nome do coletivo, não sabe o que fala e perdeu o rumo, a conexão com a tradição filosófica do Ocidente. Ignorar a realidade é … ignorância.

Cada vida e cada experiência vivida tem o mesmo valor de qualquer outra e merece ser narrada do ponto de vista de quem a viveu. Para isso existem as palavras.. para que o ser humano desafie o senso comum e afirme sua individualidade. Para que seja livre e não precise ceder sob pressão.

Abaixo a Ditadura do Pensamento Politicamente Correto. E vivam os homens livres.

(Rio de Janeiro, 28 de Fevereiro de 2016)

Flávio Colker
é um dos maiores
fotógrafos brasileiros.
Conheça suas ideias
e seu trabalho
em seu blog




Comments

Post a Comment

Popular posts from this blog

VINGANÇA (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

A SURRA DE PICA QUE MEU IRMÃO DE DEU (um conto devasso de Emmanuelle Almada)

Meu nome é Sara e sempre fui uma menina muito caseira. Morava em um sítio no interior do Rio Grande do sul, e levava uma vidinha bem pacata. Cedo pela manhã eu tirava leite das vacas, alimentava os animais e fazia comida para meu pai e meus irmãos: um de 12 e outro de 14 anos. Sempre cuidei deles. Minha mãe morreu quando ainda eram muito pequenos, e eu assumi as responsabilidades da casa, mesmo sendo ainda uma menina. Nossa casa ficava longe da cidade mais próxima e para mim era praticamente impossível sair de lá para fazer qualquer coisa, daí vivia praticamente confinada naquele lugar. Meu pai é que saía, às vezes acompanhado por um dos meus irmãos, para levar leite para alguns mercadinhos da cidade, e passavam o dia inteiro fora. Eu ficava em casa cuidando do meu irmão menor, que era muito apegado a mim, me seguia onde quer que eu fosse. Era um menino franzino, de pele pálida e cabelos lisos, negros. Eu admirava a ingenuidade daquele anjo, sempre muito prestativo e car...

DOMADA PELO SEXO (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.