Cubatão, antes de virar o “vale da morte” que, além de crianças sem cérebro, aleijões anencefálicos ou aposentados com seus pulmões corroídos pelo câncer de tanto cheirar ares poluídos, já havia dado escritores do quilate de Afonso Schmidt (1890-1964). Mais recentemente, produziu poetas como Marcelo Ariel e agora tem o seu mais representativo romancista: o professor Manuel Herzog (1964), que profissionalmente atuou em seu parque industrial. O primeiro romance de Herzog, “Os Bichos” (Santos, Editora Realejo, 2012), título que evoca “Bichos” (1940), de Miguel Torga (1907-1995), clássico da literatura portuguesa, já fazia uma alegoria do cenário político de Cubatão, enfocando a atuação de politiqueiros profissionais que carregam atrás de si uma legião de deserdados da sorte dispostos a defender o seu candidato em troca de alguns caraminguás ou de uma “boquinha” no serviço público. Nesse romance, o escritor compara os homens a animais, com uma visão bem mais favorável aos desta ...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO