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COPA 2026: É CRISE DE ABSTINÊNCIA QUE CHAMAM, NÉ? (por José Guilherme Vereza)

  É como um livro que você vai ralentando, sorvendo as últimas páginas, letra a letra, palavra a palavra, situações a situações, personagens a personagens, empurrando o desfecho com a barriga, querendo que ele não acabe nunca.   Ou aquela série encantada que anuncia o último episódio no cantinho da tela e pega você de jeito, com o prêmio de consolação do prenúncio de uma próxima temporada, que geralmente não é a mesma coisa.   Ou o último pedacinho daquele sorvete que só restou um tiquinho de casquinha e você quer porque quer que ele se eternize nos dedos melados para não perder o que resta de um prazer fugaz, quando lamber o fim é um ato de resistência à realidade.   Assim como acabou-se o que era doce, já antecipo o fim da Copa com a tristeza de que só faltam três jogos e o conforto que serão jogos espetaculares com artistas que sobraram num funil, talvez o mais rico dos funis das últimas Copas.   Não vou relatar os momentos sublimes e seus pro...

COPA 2026: NÃO APROVARAM MEU ROTEIRO (por José Guilherme Vereza)

  Bruno Guimarães converte um pênalti no início do primeiro tempo. Os noruegueses ficam desarvorados, perdem ritmo de jogo e vão para o intervalo botando os bofes para fora. Na volta, o Brasil segue se impondo. Vini Jr. faz um lançamento preciso para Endrick, que, ganha do zagueiro na corrida e com um toque sutil desvia a bola do goleiro. Brasil 2 a zero. Os remadores se mandam organizados em massa para o ataque e seu goleador colossal e competente consegue em dois lances empatar o jogo. 2 a 2. Aos trancos e barrancos, o Brasil arma um contra ataque, o zagueiro deles se apavora, atrasa a bola num lançamento alto para o próprio goleiro, que chega a tocar na bola, mas a danada entra caprichosamente na gaveta. Brasil 3 a 2. No finalzinho, uma falta desqualificada de um norueguês gera cartão vermelho e um pênalti. E Neymar decreta o fim da partida. Brasil 4 a 2 e o Brasil segue para enfrentar a Inglaterra. Bem, este foi o roteiro criado para Brasil e Noruega. Escrevi a sinops...

COPA 2026: PERCURSOS (por José Guilherme Vereza Julho 01 2026)

  Confesso que o percurso do ônibus da seleção brasileira entre o hotel e o estádio me emociona legítima e infantilmente. Sinto que lá dentro carregam-se esperanças, redenções, alegrias iminentes, possibilidades de abraços, gritos e choros. E memórias insistentes. Ainda sobre percursos. Lembro que em 62, da janela do meu quarto num prédio da Tijuca, eu vi o Constellation da Panair, escoltado por caças da época, revoando a cidade até se aproximar do Galeão, na Ilha do Governador, bem na direção oeste do meu olhar mais atento que um controlador de voo. Iam e vinham à minha janela, como se me saudassem. A bordo, os bicampeões do mundo, em seus ternos bem cortados, suas gravatas tronchas de cansaço, seus sorrisos justos, me embeveciam só de imaginar que estariam perto de mim. Ou, quem sabe, acenando para mim. Copa tem dessas coisas. De quatro em quatro anos percorrem lembranças eternas, coisas que independem das performances do time brasileiro. Já ganhei, já perdi, já chorei, já ...