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Showing posts with the label Diário do Norte do Paraná

TENTAÇÃO VERDE (uma reminiscência cinematográfica de Ademir Demarchi)

Tenho um leitor maringaense, o José Flauzino, que anda ungindo os novos escritores para ganharem prêmios e livros vendidos. Graças a ele também já me enlevei num jogo de livre associação que colocou nada mais nada menos que a preferida de Hitchcock, a princesa e atriz Grace Kelly, em Maringá, em meio a um cafezal. E a epifania foi tanta que cheguei a achar que minha primeira namorada lá naquela juventude dourada e perdida no tempo teria sido ela ou então sua filha, tal a semelhança. Bom, quanto a isso é melhor ficar apenas na Grace, já que a outra continua graciosa habitante da cidade. O fato é que a conversa fantasiosa se intensificou com meu interlocutor por eu ter ouvido no Peru executarem a canção “Maringá, Maringá” de Joubert de Carvalho como se fosse mexicana, cantada em espanhol... Contestei los peruanos, que ficaram incrédulos, achando que eu estava com bromas. Contei o episódio numa coluna e o Flauzino sacou uma biblioteca sobre o assunto, me levando ao tal delírio ...

DEDOS DE MOÇAS, CHILIS E OUTROS TEMPEROS (por Ademir Demarchi)

Na feira-livre de hoje, junto com as bananas, as cebolas e os tomates, tem papa e poeta à venda com políticos, tudo com muito tempero apimentado à base de dedos de moças... Não basta um papa, há dois. Um é poeta, ora, ora. Senão, vejamos: é o Wotjyla, aquele homenzarrão de uns dois metros que, sendo poeta, era chegado também numa rachadura, se é que me entende, leitor@. Veja que lírico: “E em nós que contemplamos o outono,/ desencadeia-se a luta através da rachadura,/ que cada homem leva dentro de si;/ quando o homem ainda está no passado de seu amanhecer,/ e quando não consegue aquele amanhecer em seu corpo”. Aos mexeriqueiros de plantão recomendo a ótima crônica de Juan Arias no El País, sugestivamente intitulada “A conflitiva relação do papa João Paulo II com as mulheres e o sexo”. Nela Arias relata as aventuras e atribulações do incansável fauno polonês, que adorava passeios nos bosques e acampamentos com moças e que era tido como muito conservador, mas que, aprisionado naqu...

O BARQUINHO PELO MAR DESLIZA SEM PARAR (por Ademir Demarchi)

Carnaval rolando, longe do samba e do sol, tevê desligada, me internei em minha cobertura diante do Pacífico, sozinho como um lobo do mar em uma ilha para terminar um livro. Nada de sereias, somente peixes já devidamente pescados e prontos para ir ao forno, dormindo no freezer. Mas o terrível editor manda uma mensagem: e aí, não vai sair dessas férias? Pô, só ele deve estar fabricando jornal... É preciso continuar embrulhando os peixes, me avisa. Desejei esse dia, olhar à volta, náufrago, somente água em volta. E peixes, peixes de verdade, saindo da água. Mas a mente está em dilúvio, tudo misturado com lama da Samarco, aí vêm os peixes sendo pescados não na água, mas na memória. Tudo começa com uma musiquinha, fitando o mar: “Dia de luz, festa de sol/ Um barquinho a deslizar no macio azul do mar/ Tudo é verão, amor se faz/ Num barquinho pelo mar que desliza sem parar...” Pronto, acabou o carnaval: o barquinho já não está mais lá no azul do mar, está nos jornais, é de alumínio, c...