O DEFUNTO por PEDRO NAVA Quando morto estiver meu corpo, Evitem os inúteis disfarces, Os disfarces com que os vivos, Só por piedade consigo, Procuram apagar no Morto O grande castigo da Morte. Não quero caixão de verniz Nem os ramalhetes distintos, Os superfinos candelabros E as discretas decorações. Quero a morte com mau-gosto! Dêem-me coroas de pano, Angustiosas flores de pano, Enormes coroas maciças, Como enorme salva-vidas, Com fitas negras pendentes. E descubram bem minha cara: Que a vejam bem os amigos. Que não a esqueçam os amigos Que ela ponha nos seus espíritos A incerteza, o pavor, o pasmo. E a cada um leve bem nítida A idéia da própria morte. Descubram bem esta cara! Descubram bem estas mãos Não se esqueçam destas mãos! Meus amigos, olhem as mãos! Onde andaram, que fizeram, Em que sexos demoraram Seus sabidos quirodáctilos? Foram nelas esboçados Todos os gestos malditos: Até os furtos f...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO