(publicado originalmente pelo ESTADÃO em 15 de Junho de 1996 ) Ainda vão dizer que a morte nunca mais foi a mesma depois que o psicodélico Timothy Leary a curtiu numa boa, via Internet. Ao contrário de Woody Allen, ele não só não temia a morte como adorou estar vivo quando ela bateu à sua porta. Como ela há muito se anunciara, sobrou tempo para Leary bolar suas últimas palavras com o mesmo capricho de quem vai, não para os campos elíseos, mas para a entrega do Oscar. Na hora h, preferiu ser breve: "Why not? Yeah!" (Por que não? Sim!). Breve, impávido, mas nada brilhante. Em seu lugar, Woody Allen talvez dissesse algo mais inteligente ou mais engraçado. "Rosebud", por exemplo. Ou, então, "Misericórdia divina, será que Rico chegou ao fim?" (Quase todo mundo sabe que "Rosebud" foi a última coisa que o personagem de Orson Welles em Cidadão Kane pronunciou antes de morrer. Poucos, no entanto, ainda se lembram do epílogo de...
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