Dona Lídia, minha mãe, não era uma mulher culta. Pelo contrário, completou apenas o curso primário, deu alguns passos no ginasial e depois teve que cuidar da vida. Mas, vamos deixar claro, não era mulher de se omitir e o que lhe faltava de educação formal (tão necessária!), sobrava de sabedoria. Sim, ela era uma mulher sábia, durona; uma educadora de dar exemplo. Ao longo de toda minha formação educacional ouvi uma velho ditado recitado quase como um mantra: "em mulher não se bate nem com uma flor". O respeito era imposto, ás vezes, com cascudos e puxões de orelha, o método psicológico/pedagógico da época na política educacional de minha mãe. Aprendi que tias, avós, amigas, primas, mulheres de todas as matizes devem ser respeitadas a qualquer custo. Os anos passaram, minha mãe chegou ao limite da idade e partiu aos quase 90 anos, eu fiquei por aqui e não tenho qualquer problema com ela. Nunca precisei deitar num divã de psicanalista. Sinto sua falta, suas broncas e um...
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