O escritor espanhol Javier Cercas, numa entrevista ao Guardian, em trecho transcrito no Rascunho por Vivian Schelesinger, afirmou sobre a Espanha que “temos uma tradição de ditadura e inquisição; matamos as pessoas por pensarem diferentemente de nós. Nosso esporte nacional não é futebol, é a guerra civil”. A observação é curiosa pelo que remete ao Brasil. Ao se referir ao futebol, é direta. De fato, até se poderia acreditar em tal fantasia sobre nosso pretenso gosto pacifista pela bola se não soubéssemos como este país tem aprimorado o morticínio ao longo do tempo, de forma constante no campo, contra índios e todo tipo de marginalizados, e de forma massiva nos grandes centros urbanos, sendo, no Estado de São Paulo, exemplares os casos dos 101 presos indefesos fuzilados pelo governo e sob guarda do governo no Carandiru e o morticínio de 505 civis em 2006 em poucos dias, com participação da PM, ainda sem apuração, a ponto da ONU exigir esclarecimentos e o Governo Federal se constr...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO