Skip to main content

Posts

Showing posts with the label A GRANDE BELEZA

CANTO DE PÁGINA: MINHAS FÉRIAS DE INVERNO EM COMPANHIA DO GRANDE MILAN KUNDERA

por Chico Marques Se em circunstâncias normais o Brasil já é um país difícil de explicar, pode-se dizer que o Brasil dos Anos 1980, recém-reconduzido à Democracia, era uma país extremamente curioso, e eventualmente surpeeendente. De que outra maneira explicar escritores difíceis e nada populares como Marguerite Yourcenar e Milan Kundera virando best-sellers -- status que nem em seus países de origem eles conseguiam alcançar? A Insustentável Leveza do Ser virou "o livro do Verão" no Brasil em 1984. Todo mundo leu e t odo mundo gostou -- ou disse que gostou. O realismo mágico desencantado de Mr. Kundera, de repente, virou assunto em bares, em filas de banco, até em salões de beleza. Para o autor checo, isso foi excelente por um lado e péssimo por outro: é  que no ano seguinte, 1985, poucos dessa extensa legião de leitores recém-convertidos ainda queriam saber dele e de seus ótimos romances e novelas. Para esses leitores frívolos e novidadeiros...

DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE "JUVENTUDE", DE PAOLO SORRENTINO (por Fábio Campos)

Juventude é um filme sobre a essência do homem, mas de um homem em extinção, aquele que há alguma décadas atrás era o modelo de masculinidade, aquilo que o Don Draper representou tão bem. O homem que vive pra impressionar a sua musa (não necessariamente a mesma), que usa seu talento somente pra que ela o note. Se outros também o notam, é apenas consequência do esforço bem-sucedido. O filme foca no dia a dia de dois amigos de muito tempo num spa na Suiça, Harvey Keitel faz um cineasta e Michael Caine um maestro. A relação com a musa, ou musas, não poderia ser mais antagônica. Um deles passou boa parte da vida ao lado da sua, enquanto o outro foi alternando várias ao longo da vida. As consequências ficam evidentes, em um, temos uma certa apatia, sem a necessidade de impressionar a musa, nada mais vale a pena, enquanto o outro busca desesperadamente continuar relevante, já numa fase decadente. Não à toa, os protagonistas estão idosos, enfatizando a extinção desse perfil, quan...

2 OPINIÕES SOBRE "A JUVENTUDE", NOVA OBRA-PRIMA DO GENIAL PAOLO SORRENTINO

"A JUVENTUDE": UMA INESQUECÍVEL EXPERIÊNCIA VISUAL por Carlos Cirne para Colunas & Notas O mais novo filme de Paolo Sorrentino, A Juventude , poderia perfeitamente ser exibido em sessão dupla com seu filme anterior, o premiado A Grande Beleza . Ambos compartilham, em grande parte, os anseios, a visão de vida e o mordaz senso de humor de seu criador, Sorrentino. Enquanto A Grande Beleza parecia uma metralhadora giratória, atingindo, de maneira fatal, quase odos os seus alvos, A Juventude  centra seu fogo no mundo do cinema e da música, seus anacronismos e fragilidades. E também não deixa pedra sobre pedra. Esteticamente aprimorado com relação a seu antecessor, A Juventude  tem como protagonista(s) dois amigos de longa data – que passam claramente a impressão de serem ambos reflexos do diretor/roteirista –, o maestro Fred Ballinger (Michael Caine) e o diretor de cinema Mick Boyle (Harvey Keitel) que, passando uma temporada num hotel/spa de luxo aos pés ...