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EM 'SICÁRIO", NOVO FILME DE DENIS VILLENEUVE, NADA É O QUE PARECE

por Chico Marques


Na América Latina, assassinos profissionais que trabalham para os diversos cartéis criminosos da região recebem o nome Sicários. Existe um motivo histórico para isso. Na antiguidade, sicários era os judeus radicais que perseguiam os romanos. Os sicários modernos não são os criminosos e, sim, os soldados norte-americanos responsáveis por perseguirem os traficantes estrangeiros de drogas. 

Quando Pablo Escobar foi morto em 1993, o Cartel de Medellín, que controlava 80% do mercado de cocaína do Planeta Terra, perdeu espaço e influência para o Cartel de Cali e para a Máfia Mexicana, que tomaram conta da cena, dando início a uma nova configuração no cenário do tráfico internacional de drogas. 

A tão alardeada grande vitória americana contra o submundo do tráfico de entorpecentes drogas revelou-se, pouco a pouco, um desastre estratégico, pois a partir desse momento o tráfico se descentralizou e deixou de ter uma única cara e uma única nacionalidade, espalhando-se por vários pontos da América Latina e misturando-se na multidão.


"Sicário: Terra de Ninguém", novo filme do canadense de Denis Villeneuve, focaliza justamente esse momento da história. 

Kate Macer (Emily Blunt) é uma agente do FBI. Ela e seu parceiro, Reggie Wayne (Daniel Kaluuya), são os responsáveis por um grupo anti-sequestro em Phoenix, no Arizona. 

A competência e os bons resultados de várias operações coordenadas por eles despertam a atenção de Matt Graver (Josh Brolin), um agente da CIA que está empenhado em montar uma equipe de elite para tentar chegar ao comandante do Cartel de Juarez. 

Sem informações complementares, no escuro, mas decidida a fazer justiça, uma vez que os mexicanos ligados a este grupo estão por trás de boa parte dos casos que investigou, ela decide participar desta missão. 

Tipos misteriosos aparecerão or seu caminho. Um deles, Alessandro (Benício Del Toro), irá revelar a ela uma série de nuances geopolíticas que ela até então não havia percebido. 


Denis Villeneuve já provou sua maestria como realizador em trabalhos anteriores como “Incêndios” (2010) e “Os Suspeitos” (2013). 

Seu cinema é tenso, truculento, incômodo e difícil de ser absorvido por Hollywood. 

Mas Hollywood sabe reconhecer um realizador talentoso quando tem um em mãos, daí faz o que pode para tentar integrar Villeneuve a seu meio.

Basta que ele esteja disposto a cooperar não dificultando muito as coisas.

E Villeneuve joga o jogo direitinho.

Os primeiros 20 minutos do filme são primorosos e eletrizantes. 

A tensão é tamanha que dá para cortar o ar com uma faca. 

Nada acontece em momento algum, tudo está em suspenso, podendo explodir sem aviso prévio a qualquer instante.

Depois o filme cai num esquadro hollywoodiano, para então seguir rumo a um final surpreendente.


"Sicário: Terra de Ninguém" traz ótimas performances de Emily Blunt, Josh Brolin e Benício Del Toro. 

Emily, em particular, está quase irreconhecível como a agente Katy Mercer do FBI.

A trilha sonora é eletrizante. A fotografia é de assustar. Tudo é climático e inquietante nesta trama assustadora.

Quem gostou dos trabalhos anteriores de Villeneuve não tem como não gostar de "Sicário: Terra de Ninguém". 

 Pode até não gostar tanto quando dos anteriores, mas não tem como não torcer o nariz para ele.


SICARIO; TERRA DE NINGUÉM
(Sicário, 2015, 121 minutos)

Direção
Denis Villeneuve

Roteiro
Tony Sheridan

Elenco
Emily Blunt
Daniel Kaluuya
Josh Brolin
Benicio Del Toro
John Bernthal
Victor Garber


em pré-estréia no Roxy Iporanga 4
 e no Cinespaço Miramar Shopping



Comments

  1. Eu gostei! Acho que Sicario é um dos melhores de Denis Villeneuve. Mais que filme de ação, é um filme de suspense, todo o tempo tem a sua atenção e você fica preso no sofá! O filme superou as minhas expectativas, realmente o recomendo. O sucesso que o filme teve foi incrível como o que o diretor teve na Blade Runner 2049 critica no ano passado. Revisei a trajetória do diretor e me impressiona que os seus trabalhos tenham tanto êxito. Os filmes deste diretor são cheios do seu estilo, e logo se pode identificar quem esta responsável pela direção. Já estou esperando o seu próximo projeto, seguro será um sucesso.

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