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O ÚLTIMO POEMA (por JR Fidalgo)

  Vou precisar de uma lápide relativamente grande, já que, segundo meus cálculos, meu epitáfio vai ser relativamente grande.   Epitáfios de uma, duas ou três frases quase nada dizem sobre quem era e o que fazia aquele monte de ossos e carne enquanto estava em cima – e não debaixo da terra, misturando-se a ela num longo processo de apodrecimento e transmutação – cósmica?   Claro, se você for cremado, a coisa acontece de outro jeito. No fim dá no mesmo.   Além disso, por minhas previsões, estou quase certo de que serei enterrado – e não incinerado, o que seria até um espetáculo interessante: o monte de carne e ossos se transformando, primeiro, numa fogueira, depois em fumaça e cinzas, que alguém vai guardar em vasos de formatos estranhos ou jogar ao vento de algum lugar, alguns às vezes também muito estranhos.   Mas essa parte final, quando você vai à cremação de alguém, não deixam você assistir.   Acontece escondido, depois que o caixão s...